Bruxelas disponível para realocar dinheiro não executado do PRR para outros projetos
Mau Tempo
Hoje 17:26
— Lusa/AO Online
“A
Comissão está a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades
portuguesas para identificar projetos que já não podem ser concluídos
até ao prazo de 31 de agosto de 2026 e realocar o financiamento desses
projetos para outros, incluindo em esforços de reparação e recuperação”,
indicou um porta-voz da Comissão Europeia numa resposta por escrito à
agência Lusa.Segundo esse porta-voz, “com
base nesse diálogo, Portugal irá submeter o seu Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR) revisto”, que será depois avaliado.“Até ao momento, ainda não recebemos o plano revisto”, refere o mesmo porta-voz.A
resposta da Comissão Europeia surge depois de, esta quinta-feira à
noite, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter dito que o executivo
comunitário lhe tinha dado a garantia de que Portugal “não vai perder
nem devolver” nenhuma verba do PRR por projetos que não foram executados
devido às tempestades, afirmando que será encontrada “uma solução
engenhosa”.Na resposta à Lusa, o porta-voz
da Comissão Europeia reitera “plena solidariedade com Portugal na
sequência das tempestades recentes extremas, que provocaram vítimas,
danos significativos em várias regiões e impacto económico em todo o
país”.“São circunstâncias excecionais e os nossos pensamentos estão com todas as vítima”, afirma.O
porta-voz recorda ainda que, neste tipo de situações extremas, a União
Europeia (UE) dispõe de vários instrumentos para apoiar os
Estados-membros, que vão desde o Fundo de Solidariedade da UE à
“possibilidade de redirecionar recursos existentes, incluindo fundos da
política de coesão”.Na passada
quinta-feira, Luís Montenegro disse que a Comissão Europeia lhe tinha
manifestado, durante a cimeira do Conselho Europeu, "disponibilidade
total" para encontrar com o Governo "uma solução, uma via, os mecanismos
que forem necessários" para que Portugal "não perca nenhuma das
oportunidades de financiamento e investimento que estavam em curso"."Saímos
daqui com a garantia de que, entre o Governo de Portugal e a equipa da
presidente da Comissão Europeia, será encontrada uma forma de acautelar
que Portugal não vai perder nem devolver nenhuma verba que tenha a ver
com estes projetos que só não vão ser concluídos neste período porque é
manifestamente impossível dada a forma como foram afetados por um motivo
de força maior", afirmou na altura.A 18
de fevereiro, o secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento
Regional, Hélder Reis, disse estar a negociar com Bruxelas redirecionar
para as áreas das telecomunicações e energia investimentos não
utilizados do PRR.O governante destacou
que Bruxelas recusou adiar os prazos do PRR, mas afirmou que está a ser
trabalhado o reajustamento de investimentos sem hipótese de
concretização até 31 de agosto para realocar essas verbas a áreas
concretizáveis, o que permitirá “não perder dotação do PRR”.Hélder
Reis exemplificou que o BRT (Transporte Rápido por Autocarro) de Braga
“não se vai concretizar” dentro do prazo, pelo que o Governo vai tentar
usar esses 76 milhões de euros para financiar sistemas de
telecomunicações, nomeadamente o já anunciado sistema SIRESP disponível
em todas as juntas de freguesia e outras entidades da proteção civil,
bombeiros e unidades de saúde.O governante
sublinhou que está também a ser considerada uma aposta em sistemas de
telecomunicação via satélite (como por exemplo o Starlink), e, numa
altura em que há populações ainda sem eletricidade, “há que repensar
todo o pacote de energia no país”, com a ajuda de verbas do PRR não
utilizadas, para a aquisição de baterias, acumuladores e painéis solares
para edifícios públicos.