Bruxelas dá mais poderes a Centro Europeu para Controlo das Doenças
Covid-19
11 de nov. de 2020, 12:17
— Lusa/AO Online
“Na
prática, o ECDC vai deixar de emitir aconselhamento científico, como
tem acontecido até agora, para passar a fazer recomendações em concreto.
Esse é um passo significativo, passar de emitir aconselhamento
científico para fazer recomendações concretas de medidas para controlar
surtos”, disse a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, em
entrevista a várias agências de notícias europeias, incluindo a Lusa.Nesta
entrevista a propósito da apresentação de um pacote de propostas para
criar uma “verdadeira União Europeia da Saúde”, em altura de pandemia de
covid-19, a responsável apontou que “o ECDC vai agora tornar-se numa
verdadeira agência europeia de saúde pública” e ficará “mais forte”.“Seremos
capazes de adotar formalmente medidas de resposta conjuntas com base em
recomendações do ECDC e até agora isto não era possível”,
contextualizou Stella Kyriakides.Prevista
está também a criação de uma “equipa de reação rápida com especialistas
do ECDC que será rapidamente mobilizada e deslocada para os
Estados-membros, quando necessário”, anunciou também a comissária
europeia.Em causa estão equipas com
epidemiologistas deste centro europeu, sediado na Suécia, que serão
“mobilizadas para os Estados-membros no momento em que houver uma crise
de saúde pública”, isto em possíveis futuros surtos.Além
disso, “vamos trabalhar com os Estados-membros para ter indicadores
comuns e dados para nos dar uma clara noção da preparação e capacidade
dos sistemas de saúde”, acrescentou a responsável, exortando os países
da UE a partilharem mais informação com o ECDC.Estas
são algumas das medidas hoje propostas pela Comissão Europeia para a
criação de uma “verdadeira União Europeia da Saúde”, após as
dificuldades registadas nos últimos meses devido à covid-19, num pacote
que prevê também o reforço do mandato da Agência Europeia de
Medicamentos (EMA), a criação de uma nova autoridade para gerir futuras
crises sanitárias e ainda a possibilidade de Bruxelas poder declarar
emergência sanitária na UE.“Vivemos,
infelizmente, num período em que as infeções podem aumentar a qualquer
altura. Temos de estar preparados para isto, para a próxima pandemia ou
na próxima emergência de saúde pública”, argumentou Stella Kyriakides.Aludindo
a outra das iniciativas, o reforço do papel da EMA, a comissária
europeia afirmou que o objetivo é que esta entidade possa “melhor
rastrear e monitorizar eventuais quebras de medicamentos ou de
equipamentos médicos”.“Isto tem em vista futuras crises”, frisou Stella Kyriakides.A
comissária europeia defendeu, ainda, que “a EMA terá um claro e um
forte papel em coordenar ensaios clínicos e investigação de vacinas, o
que é crucial numa situação de crise”.De
momento, a EMA está em avaliações preliminares de duas potenciais
vacinas para a covid-19, das farmacêuticas BioNTech e Pfizer e da
AstraZeneca.A organização e a prestação de
cuidados de saúde são da competência das autoridades nacionais dos
Estados-membros, pelo que à UE cabe complementar as políticas nacionais e
coordenar respostas conjuntas, nomeadamente através da partilha de
recursos para problemas comuns, como pandemias ou surtos.A apoiar nesta assistência aos países estão as duas agências especializadas em questões de saúde, o ECDC e a EMA.