Bruxelas confia que calendário do plano de recuperação será cumprido
UE/Presidência
29 de mar. de 2021, 12:24
— Lusa/AO Online
Na
passada sexta-feira, no mesmo dia em que o parlamento alemão, o
Bundestag, aprovou a decisão de recursos próprios – que permite à
Comissão ir aos mercados emitir dívida comum para angariar os 750 mil
milhões de euros que financiarão o Fundo de Recuperação -, o Tribunal
Constitucional alemão proibiu o Presidente, Frank-Walter Steinmeier, de
assinar a lei que ratifica o Fundo de Recuperação até que os juízes se
pronunciem sobre um recurso apresentado por um grupo ‘animado’ pelo
partido de extrema-direita Alternativa pela Alemanha (AfD), a questionar
a sua constitucionalidade.Na conferência
de imprensa diária de hoje do executivo comunitário, o porta-voz com a
pasta do Orçamento, assegurou que “a Comissão está convencida de que a
legalidade da decisão sobre os recursos próprios está em ordem” e nota
também que “a validade da decisão sobre recursos próprios não foi
colocada em causa pelo Tribunal Constitucional”.Reiterando
que “é crucial que a decisão dos recursos próprios seja rapidamente
aprovada por todos os Estados-membros” e notando que “16 países já
completaram este processo”, o porta-voz Balazs Ujvari acrescentou que “a
Comissão crê que o Tribunal Constitucional decidirá rapidamente” e,
como tal, acredita que o calendário previsto para que o Fundo de
Recuperação chegue ao terreno, com os primeiros desembolsos a terem
lugar em julho, será cumprido.“Continuamos
confiantes, nesta fase, de que o calendário para angariar o dinheiro
[nos mercados] e para os desembolsos não será afetado”, disse por seu
lado a porta-voz Dana Spinant, que dirigiu a conferência de imprensa.Na
última sexta-feira, o primeiro-ministro e presidente em exercício do
Conselho da UE, António Costa, disse também esperar que a decisão do
Tribunal Constitucional alemão de suspender a ratificação do Fundo de
Recuperação da UE “não bloqueie” nem atrase a aplicação da chamada
‘bazuca’ acordada no final de 2020 pelos 27.“Até
agora todo o processo de ratificação tem estado a correr bem. Como em
todos os Estados de Direito, podem suscitar-se questões de
constitucionalidade e elas são devidamente tratadas e apreciadas […]
Espero que não bloqueie aquilo que é um processo fundamental: que é
podermos ter o mais rapidamente possível essa vitamina fundamental para o
arranque da economia, para a recuperação do emprego que é o Plano de
Recuperação e Resiliência”, declarou.Para
que o Fundo de Recuperaçãp «NextGenerationEU» se torne uma realidade, é
necessário que os Planos nacionais de Recuperação e Resiliência (PRR)
dos Estados-membros sejam apresentados e aprovados em Bruxelas, e que a
decisão de recursos próprios, que permite à Comissão emitir dívida comum
para se financiar nos mercados, seja ratificada por todos os 27,
processo que a presidência portuguesa esperava ver concluído durante o
mês de abril.Na cimeira de chefes de
Estado e de Governo celebrada na última quinta-feira por
videoconferência, António Costa, dirigindo-se aos restantes líderes
europeus na condição de presidente do Conselho da UE, voltou a sublinhar
que a decisão dos recursos próprios é “uma peça fundamental neste
‘puzzle’ constituído pelo Quadro Financeiro Plurianual [o orçamento da
União para 2021-2027], pela sua legislação setorial e pelo Fundo de
Recuperação” e exortou os Estados-membros que ainda não o fizeram a
completar sem mais demoras os procedimentos de ratificação desta
decisão.“Enquanto presidência, estamos a
acompanhá-la de perto e, neste preciso momento, estão a ser concluídos
os procedimentos nacionais em alguns Estados-Membros. Eleva-se assim
para 23 o número de Estados-Membros que já ratificaram a decisão ou que a
vão ratificar até ao final de abril. Permitam-me que deixe mais uma vez
um apelo para que sejam finalizados os requisitos constitucionais em
todos os Estados-Membros o mais rapidamente possível para permitir a
emissão de dívida pela Comissão Europeia, essencial ao financiamento da
recuperação”, disse.Atualmente, quatro
países não têm um calendário preciso para a ratificação da decisão -
Áustria, Polónia, Hungria e Holanda -, um grupo ao qual se junta agora,
de algum modo, a Alemanha, dado a ‘validação’ pelo Bundestag (parlamento
alemão) e pelo Bundesrat (câmara alta), na semana passada, ficar então
suspensa até que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre o recurso
de emergência contra o plano de emissão de dívida conjunta pela
Comissão, o que pode demorar semanas ou meses.