Bruxelas aprova ajuda de 133 ME à SATA mas abre investigação sobre outros apoios
18 de ago. de 2020, 15:37
— Lusa/AO online
“A
Comissão Europeia aprovou, ao abrigo das regras de auxílio estatal da
União Europeia [UE], uma verba de 133 milhões de euros em apoio à
liquidez da SATA”, ajuda esta que “permitirá à empresa cumprir as suas
obrigações de serviço público, prestar serviços essenciais e assegurar a
conectividade da região ultraperiférica dos Açores”, anunciou o
executivo comunitário em comunicado.Porém,
também hoje, a instituição “abriu uma investigação para avaliar se
certas medidas de apoio público de Portugal a favor da empresa estão em
conformidade com as regras da UE sobre auxílios estatais a empresas em
dificuldade”, indicou a nota de imprensa.Relativamente
ao apoio estatal aprovado, Bruxelas revelou que está em causa uma
garantia pública de Portugal até cerca de 133 milhões de euros sobre um
empréstimo temporário para solucionar necessidades urgentes de liquidez,
dada a crise gerada pela pandemia de covid-19, visando assegurar a
prestação pela SATA de serviços essenciais como rotas relativas a
obrigações de serviço público e serviços de interesse económico geral
nos aeroportos locais.O objetivo é “dotar a
empresa de recursos suficientes para fazer face às suas necessidades
urgentes e imediatas de liquidez até ao final de janeiro de 2021”,
acrescentou.E, uma vez que a SATA já
estava em dificuldades financeiras anteriores à crise da covid-19, o
executivo comunitário explicou que avaliou esta ajuda estatal ao abrigo
de outras regras europeias que não as mais flexíveis adotadas devido à
pandemia, nomeadamente as orientações anteriores, de 2014, e relativas
aos auxílios de emergência e à reestruturação.Foi também neste âmbito que foi aprovada a ajuda estatal à companhia aérea de bandeira TAP.“As
autoridades portuguesas estimaram que as necessidades de liquidez da
SATA para os próximos seis meses em relação às obrigações de serviço
público e serviços essenciais da SATA ascendem a aproximadamente 133
milhões de euros”, adiantou a Comissão Europeia.As
dificuldades financeiras da SATA perduram desde, pelo menos, 2014,
altura em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo
Regional dos Açores começou a registar prejuízos, entretanto agravados
pelos efeitos do surto de coronavírus, que teve um enorme impacto no
setor da aviação.E foi devido a tais
dificuldades que a Região Autónoma dos Açores aprovou, desde 2017, três
aumentos de capital na companhia aérea, para colmatar as carências de
liquidez.“As autoridades portuguesas
afirmam que os aumentos de capital em questão não constituem auxílios
estatais ao abrigo das regras da UE, uma vez que o Governo Regional dos
Açores, como único acionista da SATA, atuou como um investidor privado a
operar em condições de mercado”, referiu a Comissão Europeia.São
estes apoios públicos que Bruxelas vai agora “investigar mais
aprofundadamente”, visando perceber “se os aumentos de capital
constituíram auxílios estatais que deveriam ter sido notificados à
Comissão e, em caso afirmativo, se as medidas de apoio anteriores
satisfazem as condições das orientações de 2014 relativas aos auxílios
estatais de emergência e à reestruturação”, concluiu a instituição.