Bruxelas apresenta recomendações para reforçar resiliência da UE a catástrofes
8 de fev. de 2023, 12:03
— Lusa/AO Online
O
executivo comunitário, em cooperação com as 27 capitais, identificou
“cinco objetivos a prosseguir coletivamente” de forma a garantir uma
maior resiliência a catástrofes: o primeiro é melhorar a avaliação dos
riscos, a antecipação e o planeamento da gestão dos riscos de
catástrofe, o segundo passa por aumentar a sensibilização e a preparação
da população para os riscos, o terceiro é reforçar o alerta precoce, o
quarto é o reforço da capacidade de resposta do mecanismo de proteção
civil da UE, e, por fim, garantir um sistema de proteção civil sólido.Relativamente
ao reforço da capacidade de resposta do mecanismo europeu de proteção
civil, Bruxelas salienta que tal é fundamental para “a UE poder prestar
mais ajuda para colmatar lacunas críticas e evitar uma maior
deterioração da situação quando a capacidade de um país estiver
sobrecarregada”.A Comissão sublinha que
“os pedidos de assistência estão a tornar-se mais frequentes e as
necessidades de resposta estão a tornar-se mais diversas”, pelo que o
mecanismo “deve estar preparado para responder a riscos emergentes e a
um provável aumento de catástrofes transfronteiriças de vários países”. “O
mecanismo da União deverá, por conseguinte, ser reforçado com o tipo e
número adequados de recursos para continuar a apoiar eficazmente os
Estados-Membros na resposta a catástrofes que sobrecarregam as suas
capacidades nacionais. As necessidades de capacidade de resposta do
mecanismo devem ser revistas regularmente”, defende o executivo
comunitário. Em termos de objetivos
específicos, descritos na recomendação hoje adotada pelo colégio de
comissários, e no que diz particularmente respeito à resposta aos
incêndios florestais, uma das principais catástrofes naturais que afeta
regularmente Portugal, a Comissão Europeia defende que o mecanismo
europeu de proteção civil “deve ser capaz de responder, pelo menos, a
necessidades em seis Estados-membros simultaneamente com capacidades de
combate aéreo a incêndios florestais, uma vez esgotadas as capacidades
nacionais, durante um mínimo de um dia e um máximo de sete”.“Em
paralelo, o mecanismo deverá ser capaz de responder simultaneamente às
necessidades em quatro Estados-Membros com capacidades de resposta
nacionais esgotadas a nível de capacidades terrestres de combate a
incêndios florestais, durante um mínimo de sete dias e um máximo de 14”.
A recomendação cobre também um reforço
dos sistemas de alerta precoce e de monitorização, com o executivo
comunitário a apontar que estes “são fundamentais para antecipar e
preparar para catástrofes”, ajudando as autoridades públicas e as
pessoas ameaçadas por catástrofes a “agir em tempo útil para minimizar
os ferimentos, a perda de vidas e os danos à propriedade, ao ambiente e
ao património cultural”. “Os sistemas de
alerta precoce devem ser avaliados e melhorados regularmente a nível da
União e nos Estados-membros. As funções-chave dos sistemas de alerta
precoce, tais como previsão, deteção, monitorização dos perigos e seu
impacto, e o alerta atempado e facilmente compreensível da população,
incluindo dos grupos vulneráveis, devem ser reforçadas”, defende
Bruxelas, acrescentando que o Centro europeu de Coordenação de Resposta a
Emergências deve apoiar proativamente os Estados-membros e assistir as
autoridades de proteção civil com “avaliações de impacto rápidas e a
pedido para eventos detetados ou previstos”.“Os
Estados-membros devem melhorar os seus sistemas de alerta público para
permitir uma melhor comunicação dos riscos, emergências e crises, dos
impactos previstos e das medidas a tomar”, recomenda Bruxelas, apontando
que “a coordenação entre as autoridades e serviços envolvidos deve ser
fomentada” e os “fluxos de informação e responsabilidades devem ser
claramente estabelecidos”. Os objetivos
hoje definidos na recomendação dirigida pela Comissão aos
Estados-membros “são uma base de referência comum não vinculativa para
apoiar ações de prevenção e preparação em caso de catástrofes que afetem
dois ou mais países ao mesmo tempo”, precisa Bruxelas.