Bruxelas apoia Portugal na compra de 2 aviões Canadair para evitar fogos como em 2017
Incêndios
18 de jul. de 2024, 10:07
— Ana Matos Neves/Lusa/AO Online
Em
causa está um acordo que será formalizado, esta quinta-feira, pelo Executivo para
compra de dois aviões bombardeiros pesados de combate a incêndios que
estarão baseados em Portugal e farão parte da reserva estratégica da
Proteção Civil da União Europeia (UE), num total de 12 que Bruxelas
financia com um orçamento total de 600 milhões de euros (para Portugal,
Espanha, França, Grécia, Itália e Croácia).“Tudo
remonta a Portugal, em 2017, quando ocorreram incêndios muito grandes
em que morreram cerca de 100 pessoas e quando se percebeu que não temos
na Europa capacidades suficientes”, afirma em entrevista à agência Lusa,
em Bruxelas, o comissário europeu para a Gestão de Crises, Janez
Lenarčič.Numa alusão aos fogos florestais
de junho e outubro de 2017 no país, que causaram mais de 100 mortos e
500 mil hectares de área ardida, Janez Lenarčič diz à Lusa que, nesse
ano, “Portugal não tinha essa capacidade própria”, nem pôde contar com
apoio de outros Estados-membros por falta de disponibilidade de meios.Por
essa razão, desde então, a Comissão Europeia apostou na preparação
contra fogos florestais e, após as necessárias negociações entre os
colegisladores da UE (por a Proteção Civil ser competência nacional),
esteve em conversações com a fabricante canadiana Canadair, que foram
recentemente concluídas, para reforçar a frota europeia e dos países
“mais vulneráveis”.“Com as assinaturas
[entre os governos destes seis países e a empresa] que esperamos que
ocorra este ano, devemos concluir este processo. […] Dois
Estados-membros já assinaram contratos deste tipo em março, a Grécia e a
Croácia, e esperamos que Portugal o faça […] e que, em breve, também
Espanha, Itália e França o façam para assim ser possível iniciar a
produção”, indica Janez Lenarčič à Lusa.Está
em causa uma verba de 600 milhões de euros para a aquisição de 12 novos
aviões de combate a incêndios que serão repartidos, a partir de 2027,
por seis Estados-membros, incluindo Portugal.A
ideia é, precisamente, que as 12 aeronaves aumentem a capacidade de
combate aéreo a incêndios da reserva estratégica rescEU, com o
comissário europeu a falar de aeronaves anfíbias médias que são
“populares nos países mediterrânicos” por permitirem um reabastecimento
de água no mar, em lagos ou rios.“Se fosse
necessário ir ao aeroporto para reabastecer, isso levaria muito mais
tempo e o tempo e a rapidez são essenciais quando lidamos com incêndios
florestais”, assinala Janez Lenarčič, falando em aviões que são “a
melhor opção possível” pois estes países “nunca estão longe do mar ou de
outra massa de água”.Previsto está que a primeira aeronave demore mais três anos a ser construída, daí que só chegue a partir de 2027.Janez
Lenarčič adianta à Lusa que, apesar de duas aeronaves ficarem baseadas
em Portugal (cabendo ao Estado português a sua manutenção e
estacionamento), poderão ser mobilizadas para outros países da UE, por
fazerem parte da reserva europeia, acontecendo o mesmo com as restantes.Realiza-se
hoje de manhã a assinatura do contrato de aquisição à Canadair de dois
aviões bombardeiros pesados DHC-515 no Museu do Ar, em Sintra, com a
presença dos ministros da Defesa Nacional, Nuno Melo, e da Administração
Interna, Margarida Blasco, e ainda do chefe do Estado-Maior da Força
Aérea, João Cartaxo Alves.