Bruxelas adverte que “próximos meses serão difíceis” com vaga de Ómicron
Covid-19
15 de dez. de 2021, 16:41
— Lusa/AO Online
Reagindo à avaliação de risco
publicada pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças
(ECDC), que alerta para o risco “muito elevado” que representa a nova
variante e recomenda medidas “fortes e urgentes” para prevenir a sua
propagação, a comissária Stella Kyriakides comentou que, com o aproximar
da época festiva, os cidadãos europeus não devem baixar as guardas,
pois “é provável que a Ómicron venha numa grande vaga, trazendo uma
pressão renovada sobre os sistemas de saúde”. “Enquanto
aprendemos mais sobre a Ómicron, é evidente que uma maior
transmissibilidade levará a um rápido aumento dos casos nas próximas
semanas. O ECDC é claro: um aumento dos casos trará hospitalização
adicional, internamentos nas unidades de cuidados intensivos e perda de
vidas”, sublinhou.Repetindo a ideia já
deixada hoje de manhã pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen,
num discurso no Parlamento Europeu, de que a Europa está “mais bem
preparada agora” para enfrentar a pandemia, a comissária insistiu,
todavia, que é possível “fazer muito melhor”, e reiterou os apelos à
intensificação rápida da vacinação, incluindo as doses de reforço.“Precisamos
do máximo respeito pelas medidas de saúde pública, combinado com um
rápido aumento da vacinação de reforço para enfrentar a Ómicron.
Demasiados Estados-membros ainda estão atrasados e quatro ainda estão
abaixo dos 50% da taxa de vacinação total da população total. Isto é
muito preocupante”, disse.A concluir, a
comissária Kyriakides alertou que “os Estados-Membros precisam de tomar
as decisões corretas com base na ciência e tendo a saúde pública como
uma prioridade” e “todos precisam de planear imediatamente o aumento da
capacidade de cuidados de saúde, assegurar que as medidas de saúde
pública sejam reintroduzidas e reforçadas, e que as vacinações sejam
rapidamente aumentadas”.O Centro Europeu
de Prevenção e Controlo de Doenças considerou hoje que a nova variante
Ómicron do vírus SARS-CoV-2 representa um risco “muito elevado” e exige
medidas “urgentes e fortes”, de modo a proteger os sistemas de saúde. Numa
avaliação de risco atualizada hoje publicada, o ECDC aponta que a
Ómicron deverá suceder à Delta como a variante dominante na União
Europeia (UE) no início de 2022, até porque já se assiste a transmissão
comunitária dentro da Europa, e sublinha que os dados preliminares
disponíveis não descartam “uma redução significativa da eficácia das
vacinas” contra esta estirpe.Desse modo, e
porque os países da UE ainda enfrentam o impacto severo da vaga da
variante Delta, “um novo aumento das hospitalizações poderá rapidamente
sobrecarregar os sistemas de saúde”, pelo que o ECDC considera que o
risco do impacto da sua propagação é “muito elevado”.“Com
base nas provas limitadas atualmente disponíveis, e dado o elevado
nível de incerteza, o nível global de risco para a saúde pública
associado à emergência e propagação da variante Ómicron é avaliado como
muito elevado”, assume então o centro europeu, que recomenda uma “ação
urgente e forte” para reduzir a transmissão do vírus, “a fim de aliviar a
já pesada carga sobre os sistemas de saúde e proteger os mais
vulneráveis nos próximos meses”.Segundo o
ECDC, é necessária “uma rápida reintrodução e reforço das intervenções
não-farmacêuticas” para reduzir a transmissão da variante Delta em curso
e retardar a propagação da variante Ómicron, mantendo sob controlo a
carga sobre os cuidados de saúde.Tal como
tem sucedido há quase dois anos, desde que a Covid-19 atingiu a Europa
no primeiro trimestre de 2020, a resposta da UE à pandemia volta a ser
um dos assuntos dominantes da cimeira de chefes de Estado e de Governo
dos 27 que se celebra na quinta-feira em Bruxelas, numa altura em que
muitos Estados-membros voltaram a impor restrições para conter a
propagação do vírus e que a nova variante Ómicron já foi detetada em
vários países europeus, incluindo Portugal.