Bruxelas acusa plataformas de conteúdos pornográficos de permitirem acesso a menores
Hoje 16:42
— Lusa/AO Online
“As
conclusões preliminares da Comissão indicam que o Pornhub, Stripchat,
XNXX e XVideos não identificaram nem avaliaram de forma diligente os
riscos que as suas plataformas representam para menores que acedem aos
seus serviços”, anunciou hoje o executivo comunitário em comunicado.De
acordo com Bruxelas, “mesmo quando os riscos foram identificados, não
foi realizada uma avaliação aprofundada, uma vez que não foram
utilizadas metodologias objetivas e rigorosas”.Por
exemplo, “a avaliação deu ênfase desproporcionada a preocupações
centradas no negócio, como danos reputacionais, em vez de se focar nos
riscos sociais para os menores, como exige a Lei dos Serviços Digitais”,
precisou a instituição.Apesar de
indicarem nos seus Termos de Serviço que os seus conteúdos são apenas
para adultos, as quatro plataformas permitem o acesso de menores através
de um simples clique a confirmar que têm mais de 18 anos, medida que
Bruxelas considera insuficiente.A Lei dos
Serviços Digitais da UE inclui várias salvaguardas para proteger menores
no ambiente ‘online’, focando-se sobretudo na prevenção de riscos,
transparência e responsabilidade das plataformas.As plataformas visadas têm agora a possibilidade de exercício o seu direito de defesa.A
Comissão Europeia insta Pornhub, Stripchat, XNXX e XVideos a
implementar medidas de verificação de idade que preservem a privacidade,
para proteger as crianças de conteúdos nocivos, visando assim corrigir
as infrações detetadas.Porém, se a posição
de Bruxelas for confirmada, poderá ser emitida uma decisão de
incumprimento, que pode resultar numa multa proporcional à infração até
6% do volume de negócios anual mundial do prestador.Também
hoje, a Comissão Europeia anunciou a abertura de uma investigação
formal ao Snapchat para avaliar se a plataforma cumpre as regras de
proteção de menores previstas na Lei dos Serviços Digitais.Isto
porque, de acordo com as conclusões preliminares hoje divulgadas, os
menores que usam esta rede social podem estar expostos a tentativas de
aliciamento, recrutamento para atividades criminosas e conteúdos
relacionados com a venda de produtos ilegais ou com restrição de idade,
como drogas, cigarros eletrónicos e álcool.A
investigação visa analisar os mecanismos de verificação de idade, as
definições de privacidade por defeito, a eficácia da moderação de
conteúdos e os sistemas de denúncia disponíveis aos utilizadores.Em
entrevista à Lusa e outras agências de notícias, no âmbito do projeto
Redação Europeia (European Newsroom), a vice-presidente executiva da
Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia
da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, salientou que “proteger menores
na internet é uma prioridade máxima para a Comissão”.“É
essencial que todas as crianças na UE tenham um elevado nível de
privacidade, segurança e proteção ‘online’. A mensagem é clara: as
plataformas pornográficas têm de implementar sistemas reais de
verificação de idade se quiserem operar na Europa e, no caso do
Snapchat, os menores podem usar a plataforma a partir dos 13 anos, mas
devem ser garantidos elevados níveis de proteção até aos 18 anos”,
adiantou a responsável, em Bruxelas.A UE
tornou-se na primeira jurisdição do mundo com regras para plataformas
digitais, que passam a estar obrigadas a remover conteúdos ilegais e
nocivos, no âmbito da nova Lei dos Serviços Digitais.As tecnológicas que não cumprem podem ter coimas proporcionais à sua dimensão.