Britânicos continuam interessados em viver em Portugal
12 de mar. de 2024, 18:26
— Lusa
"Achamos que houve pouca ou
nenhuma mudança. A maioria dos britânicos ainda considera mudar-se para
Portugal principalmente pela qualidade de vida do país, pela boa relação
qualidade/preço e pelo estilo de vida ao ar livre, e não por razões
fiscais", afirmou à Agência Lusa.A Câmara
de Comércio Portuguesa no Reino Unido vai realizar na quinta-feira a
16.ª edição do evento "Moving to Portugal", conferência em Londres que
atrai anualmente centenas de visitantes. A
popularidade levou à realização em 2024 de dois novos encontros
adicionais para além do encontro habitual em outubro, um na capital
britânica pela primeira vez em março e outro em Dublin em 18 de abril. No
evento, os visitantes podem falar com agentes ou consultores
imobiliários, especialistas em fiscalidade, empresas que tratam de
vistos e investimentos e prestadores de serviços cambiais. "As
pessoas no Reino Unido reconhecem a importância de se mudar “de forma
correta”, ou seja, obter vistos e abrir negócios da forma correta, por
isso veem a participação na nossa feira como um ponto de partida
fundamental no caminho para a mudança", explicou Christina Hippisley.No
ano passado, o Governo português limitou o acesso à taxa especial para
novos residentes não habituais e ao regime de residência por
investimento, o chamado 'visto gold', que atraiu muitos britânicos
devido ao fim da liberdade de circulação na União Europeia resultante do
'Brexit'. Uma análise de dados feita aos
visitantes em 2023 concluiu que os principais motivos para participar na
feira foram informar-se sobre residência e vistos (54,5%), planeamento
tributário (46,6%), compra de casa (42,2%) e oportunidades de
investimento (37,8%).Quase 80% dos inquiridos eram estreantes e 37% planeavam mudar-se para Portugal em menos de um ano. Nos
últimos anos, Hippisley notou a participação de um crescente número de
trabalhadores remotos, frequentemente designados por "nómadas digitais",
em paralelo ao interesse contínuo de casais mais velhos e aposentados.Este
novo público, adiantou, é composto por pessoas "mais jovens e focadas
na família, mas com orçamentos maiores para gastos com propriedades e
estilo de vida". Outra novidade é que o
país inteiro passou a ser atrativo para os britânicos viverem, incluindo
Açores e Madeira, em vez de apenas o Algarve ou Lisboa, pelo que a
Câmara de Comércio decidiu passar a dar visibilidade a diferentes
regiões. A Associação de Turismo de
Cascais vai estrear-se na quinta-feira com um expositor dedicado,
refletindo a importância estratégica que dá ao mercado britânico,
justificou o presidente da Visit Cascais, Bernardo Corrêa de Barros. "É
um mercado vibrante com alto poder de compra. Para além de ser o
turista que nos interessa, é também o potencial investidor que nos
interessa muito", explicou.Atualmente, a
população do concelho já é composta por cerca de 20% de estrangeiros,
adiantou o responsável, o que contribuiu para a existência de 18 escolas
internacionais e três universidades em Cascais. Segundo
a Visit Cascais, o valor médio dos imóveis adquiridos por estrangeiros
no município em 2019, muitos dos quais britânicos, foi de quase 600 mil
euros. Corrêa de Barros quer promover Cascais como um local "muito apelativo para residir, mas também para investir"."Fixando
novos residentes com altíssimo poder de compra, conseguem-se novos
negócios que geram emprego. É neste ciclo que nós queremos entrar e
temos vindo a trabalhar", enfatizou.