Brasil pede à UE que responda até 01 de outubro sobre lei da desflorestação
13 de set. de 2024, 17:51
— Lusa/AO Online
O
ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, anunciou o prazo para
a resposta da UE, avisando que o país está a considerar outras medidas
para evitar a aplicação do regulamento, que deverá entrar em vigor em
dezembro.“Demos à União Europeia um prazo
até 01 de outubro para se pronunciar formalmente. Se não o fizerem,
vamos procurar outros mecanismos para que essa implementação não
aconteça unilateralmente”, disse Carlos Fávaro aos jornalistas, à margem
de uma reunião dos ministros da Agricultura do G20, no estado
brasileiro de Mato Grosso, que conta com a presença do ministro da
Agricultura e Pescas de Portugal, José Manuel Fernandes.O
ministro brasileiro entregou uma carta ao comissário
europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, Januz Wojciechowski,
pedindo a suspensão da lei ‘anti-desmatamento’ e “uma revisão da
abordagem punitiva aos produtores”.Segundo
Fávaro, o comissário europeu “disse-lhe que tem problemas no bloco” por
causa desta lei, uma vez que vários países membros pediram o adiamento
da aplicação das medidas.“Para evitar um
impacto nas nossas relações comerciais, solicitamos que a UE não
implemente o regulamento a partir do final de 2024 e que reveja
urgentemente a sua abordagem à questão”, refere a carta.O
regulamento da UE, que foi aprovado em 2023 e entrará em vigor em
dezembro, visa impedir que as importações da UE de certas mercadorias e
derivados, como o óleo de palma, a carne de vaca, a soja, o café, a
borracha, a madeira e o chocolate, causem desflorestação nos países
exportadores.A legislação estabelece que
os exportadores de países terceiros que queiram colocar os seus produtos
na UE tenham que cumprir uma série de procedimentos complexos de
verificação para comprovar que a sua produção não provém de áreas
desmatadas.De acordo com o Governo
brasileiro, a complexidade das exigências inviabiliza as exportações
brasileiras, especialmente as de pequenos e médios produtores.Por
esta razão, o Brasil considera o regulamento “unilateral” e “punitivo” e
afirma que poderá afetar até um terço das suas exportações.