Brasil confirma circulação na Amazónia de nova estirpe detetada no Japão
Covid-19
13 de jan. de 2021, 14:23
— Lusa/AO Online
Trata-se
da mesma variante que chegou ao Japão depois de quatro viajantes
japoneses visitarem a Amazónia brasileira, e que, segundo o vice-diretor
de investigação da Fiocruz Amazónia, Felipe Naveca, apresenta uma série
de mutações inéditas. Uma nota técnica indica que as amostras analisadas nos japoneses
acumulam um número "incomum" de alterações genéticas, além das
verificadas na chamada proteína 'Spike' e que "se assemelham ao padrão
observado" nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do
Sul.“Se essas mutações conferirem alguma
vantagem seletiva para a transmissibilidade viral, devemos esperar um
aumento da frequência dessas linhagens virais no Brasil e no mundo nos
próximos meses”, diz o documento.O texto
explica também que as mutações detetadas são um "fenómeno recente,
provavelmente ocorrido entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021", e
"podem ser representantes de uma linhagem emergente no Brasil".O
surgimento simultâneo de novas variantes do vírus Sars-CoV-2, causador
da Covid-19, em diferentes partes do mundo, sugere "mudanças
convergentes na evolução" do patógeno, o que tem despertado a
preocupação da comunidade médica e científica em todo o mundo.“O
surgimento de novas variantes de Sars-CoV-2 que abrigam mutações na
proteína 'Spike', que podem ter impacto na aptidão e na
transmissibilidade viral, tem sido motivo de grande preocupação”,
destacou a Fiocruz na nota técnica.Esta
semana, o Ministério da Saúde do Brasil já tinha confirmado que o Japão
identificou em quatro viajantes provenientes do Brasil a nova estirpe,
que possui doze mutações, incluindo a mesma encontrada em variantes já
identificadas no Reino Unido e África do Sul, o que implica um maior
potencial de transmissão do vírus.Assim, a estirpe detetada na Amazónia é a segunda variante inédita do novo coronavírus identificada no Brasil.No
final de dezembro último, um grupo de investigadores detetou uma
variação do patógeno no estado do Rio de Janeiro, que é, juntamente com a
Amazónia, uma das regiões mais atingidas pela pandemia no Brasil.Com
cerca de 212 milhões de habitantes, o Brasil é o país lusófono mais
afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o
segundo maior número de mortos (204.690, e quase 8,2 milhões de
infetados), depois dos Estados Unidos.