Borrell vai apresentar aos 27 propostas para aquisição de munições
Ucrânia
14 de fev. de 2023, 11:06
— Lusa/AO Online
Em
declarações à chegada ao quartel-general da NATO, em Bruxelas, para
participar numa reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia,
que antecede uma reunião de ministros da Defesa da Aliança Atlântica, o
Alto Representante da UE para a Política Externa defendeu que o
Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, através do qual os Estados-membros têm
prestado assistência militar à Ucrânia, pode ser utilizado para
fornecer a Kiev as munições de que as forças armadas ucranianas
necessitam.Questionado sobre a ideia de um
mecanismo de aquisição conjunta de munições, Borrell lembrou que,
através do Mecanismo de Apoio à Paz já têm sido providenciados fundos
aos Estados-membros para a aquisição e fornecimento de armamento a
países parceiros e afirmou-se convicto de que este instrumento “poderia
perfeitamente ser usado da forma que se entender mais adequada”,
incluindo para a aquisição de munições, até porque se trata de “um fundo
intergovernamental”, e não comunitário.“Vou
apresentar propostas aos ministros dos Negócios Estrangeiros [da UE] na
segunda-feira”, 20 de fevereiro, por ocasião de um Conselho em
Bruxelas, disse então, escusando-se a revelar o teor das propostas.Relativamente
à reunião de hoje do Grupo de Contacto para a Ucrânia, liderado pelos
Estados Unidos, Josep Borrell disse que a principal questão sobre a mesa
é a coordenação dos esforços para continuar a apoiar a Ucrânia.“Todos
vão apresentar as suas propostas e eu certo de que, entre todos nós,
vamos continuar a providenciar um forte apoio militar à Ucrânia. Esta
agressão da Rússia é brutal, os ataques russos continuam contra todas e
quaisquer infraestruturas civis, com muitas vítimas. Infelizmente, não
há qualquer sinal de que a Rússia queira parar esta guerra, pelo que
temos de continuar a apoiar a Ucrânia e vamos fazê-lo”, disse.Questionado
sobre a possibilidade de serem fornecidos caças de combate à Ucrânia,
tal como Kiev tem insistentemente pedido, Borrell limitou-se a
responder: “vamos ver”.Numa conferência de
imprensa na segunda-feira para projetar as reuniões de hoje, o
secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, admitiu que a Aliança
enfrenta uma “corrida contra o tempo” no envio de apoio militar
suplementar à Ucrânia para permitir às forças ucranianas fazerem face às
novas ofensivas da Rússia.Stoltenberg
alertou que, “quase um ano após a invasão, o Presidente [Vladimir] Putin
não está a preparar-se para a paz, mas sim para lançar novas
ofensivas”, razão pela qual os Aliados devem “continuar a fornecer à
Ucrânia o que precisa para vencer e para alcançar uma paz justa e
sustentável”.Apontando que o ministro da
Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, participará na reunião do grupo de
contacto para a Ucrânia, o secretário-geral da NATO disse que, em
conjunto, irão ser abordadas “as necessidades urgentes da Ucrânia”,
antecipando desde já algumas delas.“É
evidente que estamos numa corrida contra o tempo em termos de
capacidades logísticas essenciais, como munições, combustível e peças
sobressalentes, que têm de chegar à Ucrânia antes que a Rússia possa
tomar a iniciativa no campo de batalha. A velocidade salvará vidas. Cada
dia conta”, assumiu.Relativamente a
munições, notou que “a guerra na Ucrânia está a consumir uma enorme
quantidade de munições e a esgotar os ‘stocks’ dos Aliados”, sendo que
“a taxa atual das despesas com munições na Ucrânia é muitas vezes
superior à taxa de produção atual” da NATO, o que coloca as indústrias
de defesa dos Aliados “sob pressão”, pelo que há que aumentar a
produção, outra matéria que será discutida pelos ministros da Defesa.Portugal é representado nas reuniões de hoje da NATO pela ministra da Defesa, Helena Carreiras.