Borrell critica UE por ficar "calada" perante morte de crianças palestinianas em Gaza
2 de jun. de 2025, 16:38
— Lusa/AO Online
"Mas onde é que está a liderança europeia? Eu
gostaria muito de ter um líder na Europa que, perante os massacres em
Gaza, diga 'não'", afirmou, num discurso durante a abertura da
conferência Ibrahim Governance Weekend (IGW), em Marraquexe.Segundo
o antigo chefe da diplomacia europeia, o primeiro-ministro israelita,
Benjamin Netanyahu "é um líder está a conduzir o seu país a cometer
crimes de guerra tão horríveis ou ainda mais horríveis do que aqueles
cometidos pelo Hamas"."E a Europa mantém-se calada", lamentou."Eu
gostaria de ter uma liderança europeia que fosse capaz de dizer: não,
não é possível. Sim, nós matámos judeus há vários anos atrás, mas isso
não dá razão aos israelitas para matar milhares e milhares de crianças
palestinianas que não são culpadas", vincou. O
presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou na
quarta-feira que "a autoridade moral de Israel está a desaparecer" e que
já não existem justificações de legítima defesa. Em
entrevista exclusiva à TV Globo, durante uma visita ao Brasil, António
Costa afirmou que "a autoridade moral de Israel está a desaparecer,
porque o que justificou a sua legítima defesa já não está mais
justificado".É "simplesmente um ataque massivo a populações civis indefesas sem nenhuma justificativa", disse.Também
a sucessora de Borrell, Kaja Kallas, afirmou esta semana que a situação
humanitária em Gaza “continua a ser intolerável”, acusando Israel de
ataques contra civis que “vão para além do que é necessário”.A
posição da chefe da diplomacia da UE surgiu um dia após a presidente da
Comissão Europeia ter instado Israel a levantar o “bloqueio severo” de
ajuda humanitária em Gaza, que entrou na 11.ª semana, condenando também a
“escalada e o uso desproporcionado da força” israelita, embora falando
em “autodefesa”.Ursula von der Leyen tem
enfrentado sérias críticas na UE pela sua posição face ao conflito em
Gaza, especialmente devido à sua resposta inicial considerada parcial e
ao seu silêncio perante alegadas violações do direito internacional por
parte de Israel.Outros líderes da UE têm
condenado a situação humanitária em Gaza, causada pelos entraves
israelitas à ajuda humanitária e aos constantes bombardeamentos das
forças de Israel, que já mataram milhares de civis.A
guerra eclodiu em Gaza após um ataque sem precedentes do Hamas em solo
israelita, em 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e
mais de duas centenas de reféns.Após o
ataque do Hamas, Israel desencadeou uma ofensiva em grande escala na
Faixa de Gaza, que já provocou quase 54 mil mortos, na maioria civis, e
um desastre humanitário, desestabilizando toda a região do Médio
Oriente.Borrell encontra-se em Marraquexe
para participar no IGW 2025, a decorrer entre 01 e 03 de junho, sob o
tema "Alavancar os recursos de África para colmatar o défice
financeiro".Políticos, académicos e
ativistas vão debater como podem os países africanos mobilizar-se para
acelerar o desenvolvimento social e económico num contexto internacional
de declínio da ajuda externa.