Boris Johnson diz em privado que negociações do Brexit vão entrar em "crise"
8 de jun. de 2018, 09:22
— Lusa/AO online
As
declarações de Boris Johnson foram gravadas em segredo durante um
jantar do grupo conservador britânico “Conservative Way Forward” e
distribuídas pela BuzzFeed uma plataforma de notícias difundidas através
da internet. Os
jornais de Londres reproduzem hoje as declarações do chefe da
diplomacia britânica - que defende publicamente uma “saída dura” do
bloco europeu incluindo a união alfandegária.As
declarações são divulgadas na mesma altura em que se registam "momentos
críticos" nas negociações com Bruxelas simultâneos com o conflito no
Partido Conservador do Reino Unido por causa do modelo das futuras
relações comerciais entre Londres e a União Europeia. De
acordo com as gravações, Johnson afirma que o 'Brexit' é “irreversível”
e que o Departamento do Tesouro é o “coração” dos que defendem a
permanência do Reino Unido na União Europeia. O
ministro dos Negócios Estrangeiros refere-se mesmo ao ministro da
Economia, Philip Hammond, o governante “mais pró-europeu” do Executivo
de Theresa May, acusando-o de querer manter um forte vínculo comercial
com a União Europeia. Sobre
o atual período negocial, Johnson disse que vai intensificar-se uma
fase combativa com Bruxelas e que é preciso não entrar “em pânico” com
uma possível “crise”.“Temos
de ser conscientes de que pode haver uma crise. Não quero ninguém em
pânico por causa da crise”, disse, utilizando a palavra inglesa
“meltdown” no sentido em que pode ser traduzida por "desastre" ou
"colapso".“Que não haja pânico. No final vai correr tudo bem”, acrescentou o chefe da diplomacia britânica.De acordo com a imprensa britânica, no jantar com Boris Johnson estiveram presentes cerca de vinte pessoas. Sobre
as dificuldades negociais relacionadas com a questão da fronteira entre
a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, o
ministro terá afirmado que se trata de uma “maluquice” e que não vai
haver problemas graves. Londres
e Bruxelas tentam encontrar uma solução sobre a questão da fronteira,
um dos aspetos considerados fundamentais para o processo de paz na
província britânica. “É
uma absoluta maluquice”, disse Johnson, acrescentando-se que se trata
de uma questão menor e sublinhando que são “poucas” as empresas que
utilizam a fronteira de forma constante. “Estamos a deixar que a nossa agenda esteja a ser controlada por esta loucura”, criticou Johnson. No
mesmo jantar, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse também que
admira cada vez mais a forma de governar do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump. “Estou
cada vez mais convencido de que há um método na sua loucura. Imaginem
Trump a tratar do 'Brexit'. Seria muito duro, provocaria todo o tipo de
falhanços e instalaria o caos. Toda a gente seria levada a pensar que
estava louco. Mas, na verdade iria conseguir chegar a algum ponto”,
disse Johnson. O
governo conservador de Theresa May enfrenta divisões internas entre os
ministros que apoiam um modelo de “associação alfandegária” em que o
Reino Unido poderia cobrar taxas em nome da União Europeia sobre os bens
desembarcados nos portos britânicos, mas destinados aos 27 países da
união, evitando, desta forma, novos postos de controlo fronteiriço.Outros
ministros e membros do Partido Conservador preferem mais “facilitismo”
que através do recurso ao uso de tecnologia para minimizar a necessidade
de controlos de fronteira depois do Brexit.