Boris Johnson deixa crise do custo de vida para sucessor
9 de ago. de 2022, 10:40
— Lusa/AO Online
O líder
conservador, que deveria estar a chefiar o Governo de gestão, foi em
lua-de-mel para a Eslovénia na semana passada, quando o banco central
avisou que a inflação iria exceder os 13% no outono, mergulhando o Reino
Unido na sua mais longa recessão desde a crise financeira de 2008.O ministro das Finanças britânico, Nadhim Zahawi, também se encontrava longe de Londres."Por
convenção, não cabe a este Primeiro-Ministro fazer grandes alterações
orçamentais durante este período (provisório). Caberá ao futuro
primeiro-ministro" fazê-lo, disse um porta-voz de Downing Street.Boris
Johnson demitiu-se no início de julho, após meses de escândalos. Os
membros do Partido Conservador vão eleger em agosto o seu sucessor, que
será anunciado em 05 de setembro.Desde que
anunciou a sua demissão, Boris Johnson já foi criticado por faltar a
reuniões de crise durante a histórica onda de calor que atingiu o Reino
Unido e por não receber as futebolistas inglesas depois da inédita
vitória no campeonato europeu.Em vez
disso, celebrou o seu casamento com Carrie Johnson e na semana passada
foi de férias para a Eslovénia, onde disse à televisão local que tinha
passado um tempo "maravilhoso". "Tivemos uma lua-de-mel maravilhosa.
Subimos todas as montanhas disponíveis, mergulhámos em lagos, andámos de
bicicleta", disse."Uma crise económica
como esta requer uma liderança forte e ação urgente, mas em vez disso
temos um partido 'Tory' [Conservador] que perdeu o controlo", afirmou a
deputada trabalhista Rachel Reeves."Tem de
haver alguém no comando", disse Gordon Brown, ex-Primeiro-Ministro
trabalhista, à ITV. "Há um vazio que precisa de ser preenchido". "Se
esperarmos pelo novo primeiro-ministro, será demasiado tarde", advertiu
Brown, apelando a Boris Johnson e aos dois candidatos para o sucederem -
Liz Truss e Rishi Sunak - para chegarem a acordo sobre medidas
orçamentais de emergência."O
Primeiro-Ministro deve reunir os dois candidatos nas próximas duas
semanas para acordar uma solução e ajudar as pessoas e as empresas a
pagar as suas contas de energia", disse Tony Danker, chefe do poderoso
sindicato britânico do patronato CBI.A
primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, pediu hoje numa carta uma
reunião entre os chefes de governo das quatro nações britânicas para
"acordar medidas urgentes para ajudar os mais necessitados".