Boris Johnson admite dificuldade em votar a favor do novo acordo Reino Unido/UE
2 de mar. de 2023, 12:49
— Lusa/AO Online
“Quando
olho para o acordo que temos agora, é claro que tenho sentimentos
mistos”, declarou num discurso na Cimeira Global de Soft Power 2023, em
Londres. Johnson disse que percebe "porque
é que tantas pessoas se sentem atraídas a aceitar um compromisso” e que
espera que o líder do Partido Democrata unionista (DUP), Jeffrey
Donaldson, "consiga encontrar uma forma de se reconciliar e o partido
com este resultado"Porém, receita que a
Irlanda do Norte continue demasiado sujeita a regras e leis europeias
determinadas em Bruxelas e exigirá que produtos manufaturados naquela
província britânica tenham de seguir as normas da União Europeia (UE). "Devemos
ser claros sobre o que realmente se está a passar aqui. Não se trata
aqui de o Reino Unido retomar o controlo. (...) Isto é a UE a ser
graciosamente inflexível para nos permitir fazer o que queremos no nosso
próprio país, não pelas nossas leis, mas pelas deles”, criticou. Segundo
Johnson, este acordo "atua como uma âncora sobre a divergência que é o
objetivo do ‘Brexit'", a saída do Reino Unido da União Europeia, para a
qual considerou que "não há justificação a menos que se faça as coisas
de forma diferente”."Vou ter muita
dificuldade em votar em algo por mim próprio, porque eu próprio acredito
que devíamos ter feito algo diferente”, vincou. Caso
o acordo seja bloqueado pelo DUP, o antigo primeiro-ministro defende
que o Governo britânico avance com a legislação introduzida no
Parlamento quando estava em funções para anular partes do acordo do
‘Brexit’.Rishi Sunak e a presidente da
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentaram na segunda-feira
em Windsor um acordo-quadro que elimina controlos aduaneiros para as
mercadorias que circulam entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte,
embora sejam mantidos para os bens que vão para a República da Irlanda.O
acordo pretende resolver problemas causados pelo Protocolo da Irlanda
do Norte, parte do Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia
(UE), que deixava a província britânica alinhada com o mercado único
europeu. Este texto foi a solução
encontrada para evitar uma fronteira física terrestre entre a província
britânica e a República da Irlanda, país membros da UE, de forma a
respeitar os acordos de paz de 1998. A ratificação não precisa de uma votação, mas Sunak está sob pressão que seja discutido e votado no Parlamento. No
discurso, Boris Johnson admitiu ter cometidos erros na negociação do
acordo porque pensava que "esses controlos não seriam pesados, uma vez
que não há muita coisa que se enquadre nessa categoria - a maior parte
dos bens ficam na Irlanda do Norte"."A culpa é toda minha, eu aceito plenamente a responsabilidade”, murmurou.