Bombeiros do Porto repudiam que comandante de Pedrógão Grande seja arguido
11 de jan. de 2018, 10:37
— Lusa/AO online
“Porque
entendemos que esta demanda ao comandante Augusto Arnaut pode ser o
‘primum movens’ [motivo principal] para fragilizar as associações/Corpos
de Bombeiros, repudiamo-la obviamente, e não calaremos a nossa
indignação perante aqueles que ousam não nos respeitar”, lê-se num
comunicado divulgado hoje.A
12 de dezembro último, o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande,
Augusto Arnaut, foi constituído arguido na sequência dos incêndios
naquele concelho, depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público no
Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria.No
comunicado divulgado hoje, a Federação de Bombeiros do Distrito do
Porto anuncia também que, a 28 de dezembro, aprovou uma moção de apoio e
solidariedade ao comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão
Grande, Augusto Arnaut e avisa que vai exigir “à tutela o respeito que
lhes é devido”.“Aproveitamos
o ensejo para alertar que, a seu tempo, tomaremos as decisões adequadas
quanto ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais
(DECIF) 2018”, acrescentam.Para
a Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto, constituir o bombeiro
voluntário Augusto Arnaut como arguido é “contribuir-se, assim, para uma
campanha negativa que atinge genericamente os Bombeiros ao distrair as
atenções e, eventualmente, camuflar opções, profundamente discutíveis,
que ao longo dos anos foram assumidas por lugares cimeiros na gestão da
Proteção Civil em Portugal e, ais quais (…), nunca foram pedidas
responsabilidades”.A
Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto acrescenta ainda que a
“catástrofe dos incêndios do último ano não foram surpresa” para aquela
federação, e justificam com o facto de ter vindo a alertar que, para
além do investimento no combate, “importava sobremaneira investir de
forma efetiva e rápida na prevenção”, designadamente “limpeza,
planeamento e a reorganização da floresta, bem como a sustentabilidade
económico-financeira da mesma”.Em
dezembro, a advogada da Liga dos Bombeiros Portugueses, Magda
Rodrigues, não precisou os eventuais crimes pelos quais o bombeiro
voluntário de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, está indiciado, mas disse
então que o mesmo estava "tranquilo", salientando que o "estatuto
processual do arguido permite mais vantagens e mais direitos"."Com
51 anos, o comandante é bombeiro há 32 anos, está ligado ao corpo de
comando há cerca de 18 anos. Obviamente, é um homem com provas dadas e o
tempo trará com certeza a verdade a este processo. Está, sobretudo, de
consciência tranquila e tudo fez para que o desfecho fosse outro",
reforçou, ao informar que não pôde dizer mais nada porque o processo se
encontra em segredo de justiça.O
incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande,
distrito de Leiria, atingindo vários concelhos vizinhos, esteve ativo
uma semana e causou, segundo o balanço oficial, 64 mortos e mais de 200
feridos. Registou-se ainda o atropelamento mortal de uma mulher que
fugia das chamas e, já em novembro, morreu uma outra mulher que estava
internada com ferimentos graves.