O Açoriano Oriental tomou conhecimento de mais uma
denúncia de más práticas no seio dos Bombeiros Voluntários da Madalena,
na ilha do Pico. Uma bombeira, com mais de 20 anos de carreira,
queixou-se, no final do ano passado, de assédio moral, difamação e
discriminação por parte do comando da corporação.Depois de ter
noticiado as queixas de fraude fiscal, assédio moral, falsificação de
documentos e utilização indevida de dados pessoais reportadas pelo
adjunto do comando, o jornal teve conhecimento que há, pelo menos, mais
uma denúncia contra o comando dos Bombeiros Voluntários.A bombeira,
com mais de 20 anos de carreira, queixou-se de assédio moral, difamação e
discriminação, situações que aconteceram no período em que trabalhou
como operacional naquela corporação, entre 2022 e 2024.Nos emails
consultados pelo Açoriano Oriental e que foram enviados a várias
entidades, desde a Secretaria Regional do Ambiente e Alterações
Climáticas, à Inspeção Regional do Trabalho, e à Associação Nacional de
Bombeiros relata situação de abuso das horas extras, com vários
funcionários a terem esgotado as 200 horas permitidas por lei e de haver
bombeiros, em alguns casos, a fazerem turnos de 24, 36 e até 48 horas
seguidos. A bombeira denuncia, ainda, casos de favoritismo na atribuição
dos horários e de haver um elemento que registou perto de 90 horas
extra num mês.Segundo a mesma afirma nos documentos enviados, foi
castigada por ter reportado “situações menos boas” em dois serviços de
urgência. Num dos casos, a saída da viatura de emergência foi atrasada,
porque a outra bombeira ao serviço se recusava a trabalhar com a
denunciante.As denúncias, sabe o Açoriano Oriental, não tiveram
qualquer eco, tendo a funcionária acabado por ver o seu contrato
terminado antes do tempo.Esta é a segunda denúncia de más práticas na corporação que presta auxílio e socorro no concelho da Madalena.No
último ano, o adjunto do comando denunciou para o Serviço Regional de
Proteção Civil e Bombeiros dos Açores várias “situações anómalas”, que
vieram a ser comprovadas por esta entidade, nomeadamente a de um
bombeiro estar alcoolizado durante a prestação de socorro e a utilização
de uma viatura não homologada.Outras situações, como o
preenchimento de uma ficha de avaliação de provas físicas, onde consta
os seus dados pessoais e alegados resultados de desempenho, por hora e
data, quando o funcionário se encontrava de baixa, foram entregues no
Ministério Público.De recordar que o bombeiro em questão, com mais
de 25 anos de profissão, queixa-se de perseguição, após ter efetuado as
denúncias aos seus superiores.