Bolsonaro muda ministro da Saúde em pleno pico da pandemia e escolhe cardiologista
Covid-19
16 de mar. de 2021, 15:36
— Lusa/AO Online
O anúncio foi
feito poucas horas após Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC), se ter reunido com o chefe de Estado, em Brasília."Foi
decidido agora à tarde a indicação do médico, doutor Marcelo Queiroga,
para o Ministério da Saúde. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de
Cardiologia. A conversa foi excelente, já conhecia há alguns anos, então
não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias", disse
Bolsonaro, em declarações a apoiantes e à imprensa local. "Tem
tudo no meu entender para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento
em tudo que o Pazuello fez até hoje", advogou o chefe de Estado, junto
ao Palácio da Alvorada, a sua residência oficial na capital brasileira.Ainda segundo o chefe de Estado, a nomeação de Queiroga será publicada na edição de terça-feira do Diário Oficial da União.Bolsonaro prometeu ainda um combate mais agressivo ao novo coronavírus no Brasil nesta nova gestão de Queiroga."O
senhor Marcelo Queiroga, médico e também gestor, mas muito mais
entendido na questão de Saúde, vai fazer outros programas que interessem
para nós diminuirmos os números de óbitos por ocasião dessa doença que
se abateu no mundo todo", frisou o mandatário."Vale
lembrar que o Brasil é o quinto país do mundo que mais vacina, em
números absolutos. Então, o trabalho do Pazuello está muito bem feito, a
parte de gestão foi muito bem feita por ele e, agora, vamos partir para
uma parte mais agressiva no que toca ao combate ao vírus. (...)
Começará agora uma transição que vai demorar uma ou duas semanas",
detalhou Jair Bolsonaro.Marcelo Queiroga
será assim o quarto ministro da Saúde desde a chegada da covid-19 a solo
brasileiro, há pouco mais de um ano, e assumirá funções naquele que é o
momento mais critico da pandemia no país.Formado
em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba, Queiroga tem
especialização em cardiologia, com área de atuação em hemodinâmica e
cardiologia intervencionista, segundo o seu currículo divulgado na
plataforma Lattes.Além da SBC, cuja
presidência assumiu em dezembro de 2019, Queiroga afirma ter atuado na
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
(SBCHI), no Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), no
Conselho Federal de Medicina (CFM) e na Associação Paraibana de Medicina
(Apmed).Com Queiroga, a tutela volta assim a ter no seu comando um nome ligado à área da Saúde.General
do Exército, Pazuello tomou, em setembro último, posse como ministro da
Saúde, após quatro meses a liderar interinamente a tutela durante a
pandemia da covid-19, situação bastante criticada no país devido à falta
de especialização do militar em questões de saúde.Sob
a gestão do general, o Ministério da Saúde mudou as diretrizes, para
que a população procurasse a rede de saúde quando sentisse qualquer
sintoma da doença, mesmo que fosse ligeiro.Antes
de Pazuello, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich lideraram
a pasta, mas saírem do cargo devido a divergências com o chefe de
Estado no combate à covid-19, nomeadamente em relação às medidas de
isolamento social e ao uso da hidroxicloroquina, fármaco amplamente
defendido pelo Presidente para enfrentar a doença, mas sem comprovação
científica na sua cura.O Brasil, que
totaliza 11.519.609 casos e 279.286 mortes devido à covid-19 e que
enfrenta agora o momento mais crítico da pandemia, tem vários hospitais
em colapso e novas estirpes do vírus em circulação, o que levou
governadores e prefeitos a decretar medidas restritivas de isolamento
social, ao contrário do que defende Bolsonaro.