Bolsonaro faz eco de Trump e descreve o seu processo como "caça às bruxas"
16 de jul. de 2025, 12:43
— Lusa/AO Online
Horas antes de o relatório
final do PGR, divulgado ao fim do dia de terça-feira, o ex-presidente
disse na rede social X que o julgamento era uma “caça às bruxas”,
ecoando um termo usado pelo presidente Donald Trump, quando este fez
declarações em defesa de seu aliado brasileiro, na semana passada.No
documento de 517 páginas, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet,
afirmou que "as provas são claras: o arguido [Jair Bolsonaro] agiu
sistematicamente, ao longo do seu mandato e após a sua derrota nas
urnas, incitando à insurreição e à instabilidade do Estado de direito
democrático"."Nada disto aconteceu. Eu sempre joguei dentro das regras", defendeu Bolsonaro em entrevista ao 'site' informativo Poder360.A
acusação diz que o ex-presidente liderou uma organização criminosa
armada, tentou dar um golpe de Estado e abolir violentamente o estado
democrático de direito, entre outras ações.A
defesa de Bolsonaro apresentará a sua contestação em breve,
provavelmente nas próximas semanas, após o que o painel de juízes do
Supremo Tribunal, que abriu o julgamento contra Bolsonaro, votará se o
condena ou absolve. Os especialistas
afirmam que se espera uma decisão no segundo semestre do ano. Uma
decisão que considere o ex-presidente brasileiro culpado na acusação de
golpe de Estado significa uma pena de até 12 anos de prisão, que pode,
juntamente com sentença de culpa noutras acusações, levar a que
Bolsonaro fique décadas atrás das grades.Bolsonaro tem negado repetidamente as alegações e afirmado que é alvo de perseguição política."O
que é um golpe? São as Forças Armadas, são tanques nas ruas, é ter um
núcleo político, ter um núcleo financeiro", afirmou hoje Bolsonaro. "Isso é um golpe. Nada foi sequer cogitado (...) e mesmo que tivesse sido cogitado, como nada começou, não há crime", concluiu.Um advogado do ex-presidente não respondeu, nas horas seguintes, a um pedido de comentário sobre a decisão do PGR.Na
semana passada, Trump impôs um imposto de importação de 50% ao Brasil,
ligando diretamente as tarifas ao julgamento de Bolsonaro. O presidente
dos EUA recebeu o ex-presidente brasileiro em seu resort Mar-a-Lago
quando ambos estavam no poder, em 2020.Na semana passada, o Presidente dos Estados Unidos comparou a situação do brasileiro com a sua própria. Na terça-feira, falando aos repórteres na Casa Branca, Trump repetiu a afirmação de que o julgamento é uma “caça às bruxas”.“Bolsonaro
não é um homem desonesto. Ninguém está feliz com o que o Brasil está a
fazer, porque Bolsonaro era um presidente respeitado”, acrescentou.Trump acrescentou que Bolsonaro não é um amigo, mas alguém que ele conhece.Na
segunda-feira, o gabinete do subsecretário para a diplomacia pública do
Departamento de Estado dos EUA disse na redes social X que os “ataques”
a Bolsonaro “são uma desgraça e estão muito abaixo da dignidade das
tradições democráticas do Brasil”.