Bolsonaro diz que vacina CoronaVac "é do Brasil, não é de nenhum governador"
Covid-19
18 de jan. de 2021, 16:33
— Lusa/AO Online
"Pessoal, uma
notícia. Apesar da vacina (...) Apesar não, né? A Anvisa [Agência
Nacional de Vigilância Sanitária] aprovou, não tem o que discutir mais.
Agora, havendo disponibilidade no mercado, a gente vai comprar e vai
atrás de contratos que fizemos também, que era para ter chegado a vacina
aqui", disse Bolsonaro para apoiantes, em Brasília."Então está liberada a aplicação no Brasil. E a vacina é do Brasil, não é de nenhum governador não, é do Brasil", acrescentou.O
chefe de Estado reforçou desta forma uma disputa política interna
contra o atual governador do estado de São Paulo, João Doria,
responsável pelo contrato inicial com o laboratório Sinovac, que
desenvolveu a CoronaVac e testou no país numa parceria com o Instituto
Butantan.O Butantan comprou a patente do medicamento e deverá fornecer 100 milhões de doses desta vacina ao Governo brasileiro em 2021.Bolsonaro
chegou a declarar publicamente que não compraria a “vacina chinesa do
Doria”, mas teve de voltar atrás porque mais de 50 países começaram
campanhas de imunização contra a covid-19 à frente do Brasil, ao mesmo
tempo em que a pandemia voltou a provocar um número alto de mortes no
país, lançando o caos no sistema de saúde de Manaus, capital do estado
do Amazonas.O maior país da América do Sul
não tinha aprovado nenhum imunizante contra o novo coronavírus até
domingo, quando a Anvisa autorizou o uso emergencial da CornaVac e da
vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de
Oxford.Como o Brasil possui cerca de seis
milhões de doses da CoronaVac e material para fabricar outros quatro
milhões de doses do mesmo imunizante, começou a campanha de imunização
com a vacina chinesa que havia sido colocada em causa pelo próprio
Presidente.O Brasil também comprou 100
milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford e a patente para produzir
mais 110 milhões de doses do mesmo medicamento este ano, porém, ainda
não recebeu os insumos para produzir o imunizante, que será fabricado
pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).Além
de Bolsonaro, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, também
comentou o início da vacinação no país que tem o desafio de imunizar
grande parte dos seus 210 milhões de habitantes.“Tem
vacina contratada para vacinar 70% da população brasileira e
consequentemente a gente chegaria numa situação, ao fim deste ano, com
liberdade de manobra em relação a esta pandemia”, disse Mourão
referindo-se à compra de 100 milhões de doses da CoronaVac, 210 milhões
de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca e cerca de 40 milhões de doses
que virão de um consórcio com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Faço
minha as palavras do almirante Barra Torres [presidente da Anvisa]
ontem, quando ele disse que não é porque a pessoa tomou uma vacina hoje
que amanhã pode estar na rua sem as medidas de proteção. O próprio
ministro [da Saúde brasileiro, Eduardo] Pazuello falou isso na semana
passada”, acrescentou Mourão. O Brasil é o
país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no
mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (209.847, em
mais de 8,4 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.