Bolieiro teve como “única” preocupação “pedir mais dinheiro” em encontro com PR
Hoje 16:43
— Lusa
“Não deixa de ser
curioso que na reunião com o Presidente da República a única e principal
preocupação foi pedir mais dinheiro: pela situação financeira da
região, alteração da Lei de Finanças Regionais para conseguir resolver
os seus problemas financeiros e pedir mais fundos comunitários para
investir neste momento no que não está a conseguir”, afirmou.Francisco
César reagiu assim às declarações do presidente do Governo dos Açores,
José Manuel Bolieiro, que garantiu hoje que a região não está em risco
de resgate e assegurou que a gestão das finanças públicas é feita com
responsabilidade e sob controlo próprio.“O
resgate está fora de questão. Há um esforço e um ‘stress’ sobre as
finanças públicas, sem dúvida, mas não creio que estejamos sob uma
situação de resgate”, afirmou José Manuel Bolieiro, em declarações aos
jornalistas, no final de uma audiência com o Presidente da República,
António José Seguro, no Palácio de Belém, em Lisboa.Na
quinta-feira, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o
líder do PS/Açores disse que a probabilidade de resgate financeiro aos
Açores “é muito elevada”.Para o dirigente
socialista, Bolieiro foi a Belém para “dizer o que precisa e não aquilo
que vai fazer para resolver os problemas da região”.O
líder do PS/Açores - que reuniu terça-feira com pequenos empresários
que fornecem produtos de higiene às escolas - referiu que “não recebem
desde outubro”, sendo que houve empresas que asseguram o transporte
escolar que “tiveram de ir para a porta do Palácio de Sant’Ana [sede do
Governo] para conseguir que lhes pagassem pelo menos uma fatura”, além
de empresários que aguardam por fundos comunitários.Francisco
César recordou que a Lotaçor, empresa pública de gestão das lotas,
“pagou salários com bastante atraso”, tendo defendido a necessidade de
reestruturação da saúde, da educação, para além de cortar nos “gastos
supérfluos” e na dimensão do executivo açoriano.De
acordo com o dirigente, a realidade “esbarra com o cenário pintado de
laranja que o presidente do Governo Regional coloca”, uma vez que “há um
problema financeiro grave da região” e a solução é “resolver os
assuntos e apontar prioridades”.Na
sequência da crise no Médio Oriente, Francisco César disse que gostaria
de ver garantido que o Governo Regional “não ganha um tostão à custa da
subida dos combustíveis a nível internacional”.“Ou
seja, garanta que não tem um aumento de receita de impostos fruto do
aumento dos combustíveis e que se compromete a devolvê-la, na integra,
aos açorianos”, frisou.Francisco César
preconizou, por outro lado, que se comecem a desenhar apoios setoriais
para as pescas, agricultura e turismo, além de se poder complementar com
o orçamento regional as medidas nacionais.Daí
a necessidade de “ter as finanças públicas equilibradas” para enfrentar
cenários de crise, uma vez que o Governo Regional “está neste momento
de mãos atadas para conseguir resolver estes problemas”, o que “vai
provocar, a prazo, uma crise financeira” que vai gerar outra económica
com consequências nas empresas e famílias, disse.O
cenário de resgate financeiro já tinha sido afastado na quinta-feira
pelo secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, que acusou o
líder do PS Açores de tentar “sujar o nome dos Açores” e puxá-lo “para
baixo”.“Cá nos manteremos constantes e
firmes contra quem vem de Lisboa anunciar o diabo e contra quem vai a
Lisboa anunciar o diabo”, declarou Duarte Freitas durante um debate na
Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.