Bolieiro reage com tristeza a recusa da Assembleia da República sobre subsídio de mobilidade
Hoje 17:58
— Lusa/AO Online
“[Reajo]
com tristeza”, disse José Manuel Bolieiro aos jornalistas em Ponta
Delgada, à margem da conferência de imprensa de apresentação do programa
das comemorações dos 50 anos da Autonomia dos Açores, no Palácio da
Conceição (sede do Governo Regional).O
chefe do executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM referiu que a
proposta de lei foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa
Regional dos Açores e, “depois, os partidos que têm também assento e
aprovaram por unanimidade na Assembleia Legislativa, não a validam na
Assembleia da República”.“Acho isso
triste, porque ficou por fazer a defesa justa dos insulares. E, por
isso, o que eu penso é que nós devemos persistir nesse alinhamento”,
acrescentou.José Manuel Bolieiro referiu
que, felizmente, o Governo da República, “após uma decisão de suspensão
de uma portaria, se disponibilizou a dialogar com os governos” dos
Açores e da Madeira e, mais uma vez, disse esperar ter oportunidade de
“esclarecer de forma cristalina” qual é o entendimento do Governo dos
Açores.“E mesmo que isso seja [feito] por
progresso, eu sempre defendi que no fim do dia, [o] ideal mesmo, era que
se inspirassem nesta concretização do princípio da continuidade
territorial, com base na Tarifa Açores, com um preço insular e um
pagamento exclusivamente com base por parte de uma certa democratização e
universalização do acesso a esta concretização da continuidade
territorial, que não fizesse depender o passageiro de ‘mão estendida’ a
receber uma indemnização ou, pior ainda, como a designação atual, um
subsídio”, afirmou.Ainda segundo o líder do executivo açoriano, esta perspetiva “não faz sentido”.“E,
portanto, eu penso que seria útil podermos concentrar-nos numa solução e
inspirados no modelo da Tarifa Açores”, que assegura viagens ida e
volta a 60 euros interilhas para residentes, acrescentou.O
parlamento recusou hoje apreciar com urgência uma proposta de lei com
origem na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para
definir um novo modelo para o Subsídio Social de Mobilidade (SSM) e vai
discuti-la em 18 de fevereiro.A concessão
do processo de urgência – que permite procedimentos mais rápidos na
aprovação de diplomas – tinha sido solicitada pelo parlamento açoriano,
mas teve votos contra das bancadas do Chega e do PS, a abstenção do PAN e
do deputado Francisco César, presidente do PS/Açores e eleito por este
círculo para a Assembleia da República.José
Manuel Bolieiro também disse hoje acreditar “no bom senso” e “na
possibilidade de um diálogo que possa potenciar clarividência” sobre o
processo do SSM.“E a minha clarividência
está focada neste objetivo. Mesmo que agora, tendo em conta a pressão de
resolver situações que são de transição, possa subsistir ainda essa
lógica de subsídio, de que eu discordo, mais tarde atingir o patamar, na
minha opinião ideal, que é o da filosofia da Tarifa Açores”, salientou.Já
sobre a morosidade do processo, o governante respondeu: “A minha
preferência é que isto hoje já não fosse um problema e que amanhã
tivéssemos a solução”.Criado em 2015, o
subsídio social de mobilidade garante passagens aéreas entre a Madeira e
continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59 euros para
estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade, até ao
teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado pelas
companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.No
caso dos Açores, o valor máximo pago é de 119 euros para residentes no
arquipélago e 89 para estudantes, havendo um limite de 600 euros no
custo elegível da passagem e sendo também necessário pagar primeiro a
totalidade do valor no ato de compra.O
novo regime do SSM, que entrou em vigor em 06 de janeiro, impõe a
obrigatoriedade de ausência de dívidas ao fisco e à Segurança Social
para aceder ao subsídio de mobilidade, uma norma entretanto suspensa até
31 de janeiro.