Bolieiro quer unir o PSD/Açores e criar uma "autonomia de responsabilização"
27 de nov. de 2019, 09:36
— Lusa/AO Online
“Queremos recuperar
a confiança na política, confiança no bom funcionamento da democracia,
na alternância democrática, nas oportunidades de desenvolvimento”,
afirmou José Manuel Bolieiro, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na
apresentação da sua moção de estratégia global, que tem precisamente
“Confiança” como tema. O Conselho Regional
do PSD/Açores marcou no fim de outubro eleições internas no partido
para 14 de dezembro e um congresso regional para 17, 18 e 19 de janeiro.
Os sociais-democratas têm até sexta-feira
para apresentarem candidaturas à liderança do partido, mas por enquanto
é conhecida apenas a candidatura do atual presidente da Câmara
Municipal de Ponta Delgada.Dividida em
três pontos - “Uma cultura de político e de política”, “Nova cultura de
autonomia e de Governo” e “Servir a democracia” -, a moção de José
Manuel Bolieiro defende uma “verdadeira aposta no desenvolvimento de uma
democracia de cidadania, cada vez mais plural e participada” e a
inauguração de uma “autonomia de responsabilização”.“Não
há assuntos só da região ou assuntos só do Estado, quando o que
interessa é o desenvolvimento dos Açores. A autonomia tem de ter sempre
uma palavra a dizer. A opção tem de ser a da corresponsabilização”,
salientou o candidato.Em Angra do
Heroísmo, acompanhado pelo histórico social-democrata José Guilherme
Reis Leite, mas também por uma militante mais nova, um representante dos
empresários e um dos sindicatos, Boleiro disse querer um partido
interclassista, “que una geografias e que reúna gerações”. “Para mim, o PSD/Açores tem uma sede, mas esta sede não são quatro paredes, são os Açores”, frisou.Entre
as propostas defendidas por José Manuel Bolieiro está a dotação de
“condições inequívocas de operacionalidade” ao Conselho Económico e
Social dos Açores, que deverá ter “uma estrutura profissional” e a
“gestão o Serviço Regional de Estatística”.“É indispensável uma estatística regional cada vez mais detalhada, abrangente e independente”, apontou.O
candidato à liderança do PSD/Açores defendeu ainda o reforço da
sustentabilidade e da liberdade da comunicação social privada e pública.
“Propomos triplicar os atuais valores de
apoios regionais aos jornais e às rádios, mas com critérios de
legalidade objetivos e escrutináveis, sem controlo do Governo e sob
atribuição do parlamento”, avançou, acrescentando que “importa articular
e partilhar entre a região e a República a responsabilidade pelo
reforço de meios para a RTP/Açores e para a agência Lusa”, de modo a que
seja salvaguardada a sua independência.A
cooperação estratégica com municípios e freguesias é outra das apostas
de José Manuel Bolieiro, que pretende definir previamente em cada
Orçamento da Região a dotação de meios financeiros de investimento para
cada município e freguesia, “baseados em critérios objetivos e
equitativos, transparentes e escrutináveis”.“Mais
do que criar novos cargos políticos e de Governo, importa potenciar o
que já existe e funciona com a inequívoca legitimidade democrática e com
capacidade já instalada de ação”, adiantou, sublinhando que, “apostar
no poder local, é ganhar coesão social e territorial para derrotar a
desigualdade e o despovoamento”.A um ano das eleições legislativas regionais nos Açores, o candidato à liderança do PSD não se comprometeu com um resultado. “O
povo dirá. É óbvio que para o desenvolvimento de um trabalho mais
planificado, mais presente, mais tempo é melhor do que menos tempo, mas
nós trataremos de tudo fazer para que mais do que a quantidade e o
calendário conte a qualidade da comunicação, a qualidade da afirmação
dos valores e das causas e da postura política que queremos emprestar à
democracia autonómica dos Açores, ao debate político e à relação com a
cidadania, com a comunicação social e com as instituições que fazem a
democracia e a Autonomia dos Açores”, disse.Questionado
sobre a sua permanência na Câmara Municipal de Ponta Delgada, José
Manuel Bolieiro admitiu que a liderança da autarquia não será compatível
com a liderança do partido, mas não avançou com uma data para suspender
o mandato. “Haverá um tempo em que não
[será] razoável acumular, porque eu não sou, nunca me afirmei como tal,
um herói capaz de tudo e de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Não é para mim um tabu ter de afirmar, porque é um facto e uma verdade e
eu assumo com honra, que haverá um período em que a minha dedicação
será total para a afirmação da alternativa que o PSD/Açores quer
representar para as legislativas regionais de 2020”, justificou.