Bolieiro quer resposta coordenada internacional face a alterações climáticas
2 de jun. de 2025, 16:35
— Lusa/AO Online
"As
alterações climáticas representam hoje uma ameaça multidimensional que
abrange riscos políticos, jurídicos, económicos e de segurança. A sua
natureza transnacional sublinha o seu estatuto como uma ameaça efetiva
que exige uma resposta coordenada e abrangente de todos os países
atlânticos", afirmou José Manuel Bolieiro.O
chefe do executivo açoriano falava, na ilha de São Miguel, na sessão de
abertura do “V Maritime Security Course – Climate Change & Security
Challenges in the Atlantic”, que está a decorrer em Ponta Delgada e se
prolonga até sexta-feira.“A segurança do
mar é também uma questão de soberania e de justiça entre gerações.
Proteger os oceanos é garantir futuro”, considerou o governante
açoriano.Promovida pelo Atlantic Centre, a
iniciativa reúne representantes de diversos países e instituições com
responsabilidade direta na segurança marítima e na resposta concertada
às consequências das alterações climáticas no Atlântico.“Este
curso que hoje se inicia representa uma oportunidade única para
fortalecer capacidades e promover soluções que reforcem o respeito pelo
direito internacional no contexto marítimo”, sublinhou o chefe do
executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM).Destacando
o papel "determinante" do arquipélago na dimensão marítima e atlântica
do país, o governante sublinhou que “o Atlântico é a casa dos Açores” e
que a identidade das ilhas sempre foi profundamente moldada pela ligação
ao mar."A nossa localização
geoestratégica no meio do Atlântico Norte não é apenas uma
característica geográfica, mas também uma responsabilidade que assumimos
com seriedade perante os desafios globais que enfrentamos", sustentou.José
Manuel Bolieiro referiu-se ao impacto crescente das alterações
climáticas no arquipélago, com fenómenos extremos mais frequentes e
reafirmou o compromisso do Governo dos Açores na conservação do mar.Por
outro lado, destacou o trabalho em curso no âmbito do programa Blue
Azores e da expansão da Rede de Áreas Marinhas Protegidas, “com base em
informação científica sólida e em estreita colaboração com todos os
utilizadores do mar"."Simultaneamente,
temos reforçado as nossas capacidades de vigilância marítima através de
parcerias estratégicas com a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional,
utilizando sistemas avançados de monitorização para garantir a proteção
das nossas águas", acrescentou.Para José
Manuel Bolieiro, a posição geográfica "confere-nos uma responsabilidade
acrescida" na salvaguarda e valorização dos recursos marinhos.José
Manuel Bolieiro alertou ainda para as potenciais consequências da
degradação ambiental marítima, alegando que “a insegurança no mar e a
destruição dos ecossistemas oceânicos teriam efeitos devastadores nas
comunidades costeiras, incluindo nos Açores".O
curso promovido pelo Atlantic Centre — em articulação com várias
entidades internacionais — tem como propósito a capacitação e o
desenvolvimento de uma abordagem comum aos temas da segurança atlântica,
em particular no atual contexto de instabilidade global, refere uma
nota divulgada pelo Governo Regional.O “V
Maritime Security Course” reúne especialistas, representantes
governamentais e decisores políticos dos países da bacia atlântica, com o
objetivo de "reforçar a segurança marítima e preparar respostas
partilhadas às alterações climáticas", lê-se ainda na nota.