Bolieiro quer Portugal a reconhecer importância geopolítica e geoeconómica dos Açores
Hoje 16:00
— Lusa/AO Online
“Há reconhecimento do valor
estratégico das capacidades instaladas no nosso arquipélago. E este
valor tem de ser sentido por todos no seu dia-a-dia. A valorização dos
Açores, por palavras, não deve ser vã”, afirmou José Manuel Bolieiro
numa comunicação política feita no primeiro dia do plenário de junho do
parlamento açoriano, na Horta, na ilha do Faial.Na
intervenção, o líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) salientou que
a valorização dos Açores “pode e deve ter uma tradução prática na
cooperação com os órgãos de Governo próprio da região […] e com um
impacto prático na vida de cada um dos açorianos”.“Somos
uma região estratégica, apesar de sermos uma região ultraperiférica. Os
Açores vivem um momento particularmente relevante da sua história
coletiva”, disse.No ano em que se
assinalam os 50 anos da autonomia da região, o Presidente da República,
António José Seguro, “em boa hora”, escolheu a ilha Terceira, para a
celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, sublinhou,
acrescentando que, com a escolha dos Açores para as celebrações, o chefe
de Estado, estava, também, de certa forma, “a olhar para o futuro de
Portugal”.“Um Portugal maior que, no seu
território, vê o valor do seu grandioso mar, que os Açores lhe conferem,
como fronteira ocidental da Europa”, vincou.E
prosseguiu: “Ao celebrarmos 50 anos de autonomia política, reafirmamos o
orgulho pelo caminho percorrido e renovamos a ambição de continuar a
afirmar os Açores como uma região de referência no Atlântico, na Europa e
no mundo”.Bolieiro salientou que os
discursos do Presidente da República e do presidente das comemorações,
Miguel Monjardino, na cerimónia celebrativa do 10 de Junho,
identificaram os Açores como “uma expressão maior da vocação atlântica
de Portugal e uma plataforma estratégica para a afirmação nacional no
contexto internacional”.“Neles ficou
evidente uma ideia fundamental: os Açores representam uma oportunidade
para Portugal reforçar a sua presença geopolítica, científica,
tecnológica e económica num espaço oceânico cuja relevância cresce à
escala global”, disse.No entanto, referiu
que foi feito um aviso: “Alertamos o país para a necessária consequência
das palavras ditas, reveladoras de visão estratégica. Apostar no
investimento nos Açores em infraestruturas críticas de duplo uso”.O
Estado Português “tem de assumir o investimento público de interesse
comum - regional, nacional e comunitário -, nestas infraestruturas
essenciais para afirmação de soberania”, defendeu.Salientou,
ainda, que num tempo de transições várias, nos planos climático,
digital, energético e científico, os Açores “são um verdadeiro
laboratório do futuro”.“Temos capital de
geografia e de recursos naturais excecionais. À região de necessidades
que somos, nos planos da coesão social e económica podemos acrescentar a
região de oportunidades para as novas economias, que a dimensão azul e
espacial dos Açores proporcionam para si, para o país e para a União
Europeia”, afirmou.Na comunicação feita no
plenário regional, o presidente do Governo Regional, sublinhou que os
Açores se afirmam como “um centro avançado de observação da terra e do
Atlântico, colocando a ciência e a tecnologia ao serviço da
sustentabilidade e da resiliência”.Os
Açores “assumem responsabilidades acrescidas na proteção dos oceanos,
mas encontram igualmente nesse património natural uma das maiores
oportunidades de desenvolvimento sustentável das próximas décadas”.“A
economia azul é uma prioridade estratégica para a região. Os
investimentos num novo navio de investigação científica e no MARTEC -
Centro de Tecnologia e Inovação para a Economia do Mar -, criarão
condições para desenvolver investigação científica, aproximando-a da
economia, potenciando, assim, novas oportunidades”, assumiu.Após
referir que a comunidade cultural açoriana também constitui “um dos
mais importantes ativos dos Açores e de Portugal”, afirmou que “Portugal
e a Europa são maiores com os Açores”.