Bolieiro quer evidenciar dimensão geopolítica e geoestratégica dos Açores na visita de Marcelo
30 de jul. de 2025, 12:18
— Lusa/AO Online
“Eu
procuro que através do mais alto magistrado da nação possamos exaltar o
reconhecimento nacional e europeu, global até, relativamente ao
posicionamento geopolítico e geoestratégico que os Açores importam ao
país, à União Europeia e ao mundo no meio do Atlântico norte. Quero
evidenciar isso”, afirmou, em declarações aos jornalistas, em Angra do
Heroísmo.O Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, inicia na quinta-feira uma visita aos Açores,
onde passará por várias ilhas, não tendo ainda sido divulgado o programa
oficial final.Questionado sobre a visita
do Presidente da República, à margem da inauguração da reabilitação do
Palácio Bettencourt, em Angra do Heroísmo, José Manuel Bolieiro adiantou
que pretende evidenciar o potencial geopolítico e geoestratégico dos
Açores, tanto no domínio aeronáutico, com uma visita à Base das Lajes,
na ilha Terceira, como na dimensão marítima, que será evocada na cidade
da Horta, na ilha do Faial.Numa altura em
que Marcelo Rebelo de Sousa completa o segundo mandato, o chefe do
executivo açoriano fez um “balanço muito positivo” dos dois mandatos do
Presidente da Republica.“Ele foi amigo dos Açores, ele esteve solidário nas nossas necessidades”, vincou.Entre
os vários momentos em que essa solidariedade foi evidente, José Manuel
Bolieiro destacou “a presença física e de testemunho de tranquilidade,
quando foi da crise sismovulcânica da ilha de São Jorge”.“Se
há um registo que se possa fazer e um balanço aos mandatos de sua
excelência o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aos
Açores é de agradecimento, reconhecimento e louvor”, sublinhou.Questionado
sobre o facto de Portugal ter admitido reconhecer o Estado da Palestina
numa declaração conjunta assinada por 15 países, o presidente do
Governo Regional dos Açores disse ver “com bons olhos” esta opção,
alegando que “ajudará naturalmente a um melhor entendimento respeitoso
do reconhecimento dos dois Estados: Israel e Palestina”.“Independentemente
das estratégias que são bem mais complexas, relativamente ao
enquadramento internacional dos estados, num quadro de consenso nas
Nações Unidas, eu entendo que é bom podermos ter uma especial
sensibilidade para defender o direito à Palestina e ao seu povo”,
apontou.Bolieiro, que disse ser um
“humanista convicto” e respeitar as identidades, defendeu que “o povo
palestino precisa de ter uma consideração mundial mais humanitária”.Portugal
admitiu reconhecer o Estado da Palestina e declarou-se empenhado em
trabalhar no “dia seguinte” em Gaza, numa declaração conjunta assinada
no final da conferência sobre a solução dos dois Estados, nas Nações
Unidas.“Antes da reunião dos chefes de
Estado e de Governo que terá lugar durante a semana de alto nível da
80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU 80) em setembro
de 2025, (…) [os chefes da diplomacia de 12 países europeus, Canadá,
Austrália e Nova Zelândia] já reconhecemos, expressámos ou expressamos a
vontade ou a consideração positiva dos nossos países em reconhecer o
Estado da Palestina, como um passo essencial para a solução de dois
Estados”, lê-se na declaração conjunta, subscrita pelo ministro dos
Negócios Estrangeiros português, no final da conferência, que terminou
na terça-feira, em Nova Iorque.