Bolieiro quer “diálogo” para superar “desentendimentos” no Hospital de Ponta Delgada
22 de jul. de 2021, 14:42
— Lusa/AO Online
“Reconheço os desentendimentos
de circunstância, não vale a pena iludir porque eles estão manifestos,
mas vamos trabalhar em diálogo e em concertação para transformar
desentendimentos de circunstância numa base de trabalho para um
entendimento estrutural”, afirmou Bolieiro aos jornalistas.O
líder do executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) falava na sede da
Presidência do Governo, em Ponta Delgada, depois de uma reunião com a
presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito
Santo de Ponta Delgada (HDES), Cristina Fraga.Bolieiro
disse que a “transparência” na gestão daquela unidade de saúde é uma
“exigência” do Governo Regional e reforçou a confiança na administração
hospitalar.“Todos os procedimentos de
contratação, sejam ou não familiares, sejam ou não empresariais, têm que
ser feitos no quadro da legalidade e da transparência para obter
eficiência e capacidade de resposta”, vincou.A
14 julho, a delegação dos Açores do Sindicato Independente dos Médicos
(SIM) manifestou-se "muito preocupada" com o clima "de mal-estar" no
Hospital de Ponta Delgada, devido à "falta de diálogo institucional do
conselho de administração" com os clínicos.Hoje,
antes da intervenção de Bolieiro, Cristina Fraga disse desconhecer
essas críticas, mas destacou que a administração está “sempre disponível
para dialogar” com o sindicato.Sobre o
abaixo-assinado promovido pelos médicos da unidade e onde é criticada a
gestão do hospital, Cristina Fraga disse que o documento está a ser
analisado pela administração do HDES.“Em
relação ao documento com um conjunto de autógrafos que chegou ao
conselho de administração, está em análise, mas posso garantir que o
nosso conselho de administração está empenhado, firmemente empenhado na
missão de diminuir as listas de espera”, assinalou.A
13 de julho, a RTP/Açores revelou que os médicos promoveram um
abaixo-assinado a exigir a convocação da comissão médica do hospital de
Ponta Delgada, criticando a gestão de Cristina Fraga.Questionada
sobre as nomeações familiares no HDES, Cristina Fraga disse que o
“assunto já foi remetido e esclarecido”, referindo-se a um comunicado de
imprensa enviado na quarta-feira.“Estou de consciência tranquila e é transparente o comunicado. Não é este momento e o local”, afirmou.Também sobre o ataque informático ao HDES, Cristina Fraga remeteu também esclarecimentos para o comunicado já divulgado.Na
quarta-feira, o conselho de administração (CA) do Hospital de Ponta
Delgada afirmou que "os pormenores sobre o ataque informático" de que
foi alvo a maior unidade de Saúde dos Açores “não podem ser divulgados
enquanto estiverem em investigação”.A
administração do hospital rejeitou ainda alegados favorecimentos de
familiares de membros do conselho de administração no processo de
nomeações, uma vez que as “relações maritais não podem ser fator para
tomadas de decisão no que toca a nomeações, mas também não poderão ser
fator de prejuízo para a melhor organização do Hospital”.A
reação surgiu numa nota de imprensa enviada pelo CA, após o Bloco de
Esquerda (BE) ter anunciado, na quarta-feira, que vai requerer, no
parlamento regional, as audições da presidente do Hospital de Ponta
Delgada e do secretário regional da Saúde para esclarecer “todos os
graves problemas” na maior unidade de saúde dos Açores.A
24 de junho, o Governo dos Açores informou ter sido detetada "uma
tentativa de intrusão externa no sistema informático" do Hospital de
Ponta Delgada, pelo que foi acionado um plano de contingência.