Bolieiro pede eleições rapidamente porque novo orçamento será "inútil"
30 de nov. de 2023, 18:09
— Lusa
José Manuel Bolieiro esteve hoje
reunido, no Palácio de Belém, em Lisboa, com o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, que ouviu ao longo da tarde os partidos
envolvidos na crise política provocada nos Açores pelo chumbo do
orçamento regional para 2024.Após o
encontro, o social-democrata afirmou ter entendido não existirem
condições para a aprovação de uma segunda versão do orçamento para 2024,
que seria de novo chumbado, pelo que defendeu que seja dada “voz ao
povo” para que se chegue a uma solução de governação “com estabilidade”.O
presidente do Governo Regional considerou ainda que as eleições deverão
ser o mais rapidamente possível e admitiu a data de 04 de fevereiro
para a realização da votação, para que não coincidam com as legislativas
nacionais antecipadas, agendadas para 10 de março.O
líder do executivo açoriano afirmou ainda que pretende recandidatar-se
em coligação com o CDS-PP e com o PPM, tal como aconteceu nas últimas
eleições, em 2020, e disse ter confiança de que vai ganhar e poderá
governar “com estabilidade”.“É claro que
acredito que posso ganhar, tendo em conta não apenas um desejo, mas
sobretudo uma demonstração de resultados da nossa governação no
cumprimento integral do nosso programa de governo”, afirmou, quando
questionado se vai pedir ao povo uma maioria absoluta.José
Manuel Bolieiro tinha anunciado que o executivo tencionava apresentar
uma nova proposta de Orçamento regional, tal como previsto na Lei de
Enquadramento do Orçamento da Região Autónoma dos Açores, mas hoje
declarou ter noção de que isso será “inútil” devido à manutenção das
intenções de voto dos partidos que votaram contra o documento.O
executivo chefiado por José Manuel Bolieiro deixou de ter apoio
parlamentar maioritário desde que um dos dois deputados eleitos pelo
Chega se tornou independente e o deputado da Iniciativa Liberal (IL)
rompeu com o acordo de incidência parlamentar. O Governo de coligação PSD/CDS-PP/PPM mantém um acordo de incidência parlamentar com o agora deputado único do Chega.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado é independente (eleito pelo Chega).