Bolieiro na “primeira linha” da reivindicação de uma visão global do papel da agricultura
5 de set. de 2025, 18:40
— Lusa/AO Online
“Não
é a partir de agora. Sempre estive na primeira linha da reivindicação,
no quadro da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu, da Presidência do
Conselho, para garantir uma política que não só distinga as regiões
ultraperiféricas e o seu estatuto especial, no quadro do tratamento de
funcionamento da União Europeia […], mas para uma visão global do papel
da agricultura”, afirmou José Manuel Bolieiro.O
líder do executivo açoriano de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), que falava
na cerimónia comemorativa dos 50 anos da Associação Agrícola de São
Miguel, realizada em Rabo de Peixe, na Ribeira Grande, com a presença do
ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, também se pronunciou
sobre o fim dos rateios na agricultura, afirmando que essa
responsabilidade deve ser assumida pela União Europeia.“Também
tenho que reconhecer, na palavra do senhor ministro da Agricultura e do
Mar, a disponibilidade para apoiar o fim dos rateios, que muito
penalizaram os agricultores nos Açores nos últimos anos, que foram
suportados pelo Orçamento Regional e que, na verdade, devem ser um
compromisso da União Europeia. E até a União Europeia o assumir, deve
ser uma responsabilidade do Estado português”, afirmou.Na
sua intervenção, Bolieiro falou também da autonomia alimentar,
declarando que a região conta com os seus agricultores e com a
“capacidade progressiva da autonomia alimentar nos Açores inteiros”.Quanto
a desafios para o setor, disse que são muitos, “desde logo, porque é
preciso continuar a aumentar a produção alimentar mundial”.“A
sustentabilidade ambiental é outro desafio, mas é sobretudo um elemento
da própria ação agrícola, porque parte da nossa sustentabilidade
ambiental tem sido assegurada exatamente pela atividade agrícola”,
prosseguiu.Segundo o líder do Governo dos
Açores, outro desafio que se coloca é o da alteração climática, “que
penaliza a expectativa, a previsibilidade, o rendimento, o produto do
setor agrícola”.“É bom que estejamos
atentos a estas matérias para, com a Associação Agricultura de São
Miguel, com o movimento associativo nos Açores e no país, podermos
atender a esta referência”, disse.Os desafios da inovação e da tecnologia também “devem estar disponíveis para a produtividade” do setor agrícola, acrescentou.Depois
de referir que os Açores são “uma gota do oceano” a nível agrícola,
observou que o engenho e a dedicação dos agricultores têm “potenciado
capacidade exportativa na quantidade e na qualidade, auxiliando o país
nas suas necessidades alimentares e no seu défice que, em vários
segmentos, os laticínios e na carne ainda têm”.Bolieiro
destacou ainda a ação da Associação Agrícola de São Miguel ao longo dos
seus 50 anos de existência, salientando o seu prestígio a nível
regional e nacional e o trabalho desenvolvido pelo seu presidente Jorge
Rita.Na cerimónia também discursou o
presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores
(ALRAA), Luís Garcia, que salientou que a agricultura tem futuro.“Desenganem-se
aqueles que julgam que a agricultura é uma atividade do passado. Uma
atividade que tem terrenos de excelência, que cuida do nosso território,
que é determinante para contrariar o despovoamento e que produz
alimentos que, no nosso caso, são de qualidade […], só pode ter muito
futuro, e constituir um caminho de excelência para os nossos jovens”,
afirmou.Luís Garcia considera importante
passar a ideia que a profissão de agricultor é uma profissão moderna,
digna e “essencial no presente" e "para o futuro”, sendo prioritário
“atrair e apoiar os jovens que queiram abraçar a agricultura”, oferendo
condições de segurança económica e incentivos à sua instalação e
formação.