Bolieiro escreve a presidente do Conselho Europeu opondo-se ao novo quadro comunitário
6 de nov. de 2025, 16:32
— Lusa
José
Manuel Bolieiro tem vindo a desenvolver contactos junto de várias
instâncias europeias e hoje, em Bruxelas, foi assinada uma declaração
conjunta das regiões ultraperiféricas (RUP) a manifestarem-se “pela
continuidade do POSEI", Programa de Opções Específicas para o
Afastamento e a Insularidade das RUP, e expressando “repúdio à proposta
do QFP”, apresentada pela Comissão Europeia (CE).Na
carta para António Costa, a manifestar as pretensões da ultraperiferia,
aproveitando o facto de o presidente do Conselho ser português,
pretende-se que este possa sensibilizar e “exercer a sua magistratura de
influência” para que os Estados-membros “estejam contra aquela proposta
da CE e a favor da reclamação das RUP”.O
líder do executivo açoriano, que pretende assim “ter mais um aliado” nas
pretensões das RUP, defende que “deve haver um instrumento político e
jurídico forte, que está ancorado no Tratado de Funcionamento da União
Europeia no seu artigo 349”, como o POSEI, que deve “abranger não apenas
um setor, mas quatro”.É o caso do “setor
fundamental da agricultura, das pescas, retomando que no passado havia
um POSEI específico para as pescas, criar um inovador POSEI Transportes e
um segmento para as questões energéticas e ambientais”.Na
missiva que vai enviar ao presidente do CE, o líder do executivo
açoriano considera que a proposta apresentada pela Comissão “não cumpre
os compromissos assumidos com as RUP e representa um recuo preocupante”,
alertando para os riscos de se perderem conquistas alcançadas ao longo
de décadas.“Estamos contra a proposta da Comissão. Nos seus termos não cumpre para com as RUP”, afirma o presidente do Governo.José
Manuel Bolieiro defenderá também a manutenção das taxas de
cofinanciamento majoradas, o reforço dos orçamentos dedicados às RUP e a
criação de capítulos específicos para cada região nos planos nacionais e
regionais, de forma a “assegurar uma participação efetiva na conceção e
execução das políticas europeias”.Para
Bolieiro, “um QFP que reconheça plenamente as especificidades das RUP
não é apenas uma questão de justiça territorial, é um pilar da
resiliência, da coesão e da competitividade da própria União Europeia”.Em
30 de outubro, as bancadas de centro-direita, socialista, liberal e dos
verdes, que formam maioria no Parlamento Europeu, afirmaram rejeitar a
proposta da Comissão Europeia para o orçamento da União Europeia (UE),
assente em planos nacionais, exigindo uma revisão.“O
Parlamento Europeu rejeita a proposta dos planos de parceria nacionais e
regionais tal como apresentada e exige uma proposta revista para
iniciar negociações”, referiram os líderes da maioria parlamentar da
assembleia europeia numa carta enviada à presidente do executivo
comunitário, Ursula von der Leyen.Em
julho, a Comissão Europeia propôs um novo orçamento da UE a longo prazo,
para 2028-2034, de dois biliões de euros, acima dos 1,2 biliões do
atual quadro, que inclui mais contribuições nacionais e três novos
impostos.Constituem-se como RUP no quadro
da União Europeia, além dos Açores, Madeira e Canárias, os territórios
ultramarinos franceses Martinica, Guadalupe, Guiana, San-Martin, Moyotte
e Reunião.