Bolieiro elogia humildade da República ao suspender até dia 31 alterações do subsídio de mobilidade
Hoje 15:09
— Lusa/AO Online
“Com
a mesma assertividade com que fui crítico com esta exigência e
referência na plataforma, hoje também quero enaltecer o Governo por esta
decisão. Na verdade, é um exercício de humildade a suspensão [da
exigência] e acrescenta, também, a disponibilidade para o diálogo
concertado com os governos regionais”, afirmou o líder do executivo
açoriano, o social-democrata José Manuel Bolieiro, à agência Lusa.O
Governo revelou que decidiu suspender a exigência de situação
contributiva regularizada no acesso ao Subsídio Social de Mobilidade
(SSM) até ao final de janeiro e avaliar com os executivos dos Açores e
da Madeira a aplicação da medida.Numa
reação a esta decisão, o líder do executivo dos Açores disse ter ficado satisfeito com a suspensão daquele critério, que exigia
aos passageiros não terem dívidas à Segurança Social e à Autoridade
Tributária para terem acesso ao SSM.“Essa
disponibilidade para o diálogo e para concertar posições é
verdadeiramente de elogiar, coisa que faço com grande gosto, de um
Governo com vontade e disponibilidade para o diálogo, com humildade
democrática e disponibilidade para as avaliações críticas”, reforçou.José
Manuel Bolieiro considerou ainda que o Governo da República, ao ter
diminuído o valor tarifa do SSM (no caso dos Açores de 134 para 119
euros na ligação com o continente), tem um “crédito de solidariedade e
de apoio aos cidadãos e à política de coesão e continuidades
territoriais”.“Quero desde já afirmar a
minha total disponibilidade e a do Governo dos Açores para estar
presente, participar e afirmar posições e reflexão crítica até sobre o
sistema no seu todo”, acrescentou.O
presidente do Governo dos Açores reiterou também que os passageiros só
deveriam pagar o valor previsto no SSM (sem recurso a posteriores
reembolsos) e insistiu que a “continuidade e a coesão territorial não
têm nada a ver com a disputa da idoneidade fiscal”.José
Manuel Bolieiro lembrou ainda a anteproposta de lei apresentada pelo
Governo dos Açores para revogar a exigência da situação contributiva
regularizada, aprovada por unanimidade na Assembleia Regional, e disse
ter transmitido a posição do executivo açoriano ao Governo da República,
apesar de não ter falado com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.“Falei
com senhor ministro da Mobilidade e Infraestruturas e também troquei
mensagens com o senhor ministro das Finanças, procurando ser leal quanto
à minha discordância e à iniciativa política e legislativa que tomei”,
adiantou.Num comunicado conjunto, o
Ministério de Estado e das Finanças e o Ministério das Infraestruturas e
Habitação adiantam que a "exigência de não existência de dívidas
fiscais fica suspensa até 31 de janeiro" e que, durante esse período, o
Governo vai "avaliar com os governos regionais" a aplicação da medida.A 06 de janeiro foi publicada uma alteração à portaria que define o modo
de proceder ao apuramento do valor do subsídio social de mobilidade, que
introduziu como critério para acesso ao reembolso das passagens a
“regularidade da situação contributiva e tributária do beneficiário,
perante a Segurança Social e a Autoridade Tributária e Aduaneira”.A
medida gerou contestação dos governos regionais e dos partidos
políticos dos Açores e da Madeira, que acusaram o Governo de discriminar
os cidadãos das regiões autónomas. A agencia Lusa também contactou o Governo da Madeira, que disse não ter para já qualquer comentário a fazer.Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade prevê a atribuição de um
reembolso a residentes, residentes equiparados e estudantes das duas
regiões autónomas, que resulta da diferença entre o custo elegível
da passagem, paga na íntegra pelo passageiro, e a tarifa máxima
suportada pelo residente, definida por portaria.