Bolieiro diz que “vazios de ação” da UE podem ser ameaças ao projeto europeu
15 de jul. de 2025, 16:00
— Lusa/AO Online
“Há
alguma coisa mais importante para a segurança e defesa europeias, que
termos as regiões ultraperiféricas desenvolvidas, coesas social e
territorialmente, ocupadas com pessoas, permitindo aos europeus o
direito a ficar?”, questionou José Manuel Bolieiro.O
líder do Governo dos Açores falava, em Bruxelas, numa conferência
promovida pelo Parlamento Europeu com o tema “Reforçar a Política de
Coesão para as Regiões Ultraperiféricas e Ilhas: Enfrentar Desafios e
Aproveitar Oportunidades Pós-2027”, que foi transmitida ‘online’.Na
sua intervenção, considerou que “vazios de ação da UE tornam estas
regiões e territórios mais recetivos a ‘players’ externos, e podem ser
ameaças ao projeto europeu e às democracias europeias. E isso deve
merecer toda a atenção”.O governante
também referiu que as regiões ultraperiféricas são uma fronteira
marítima e aérea da UE, mas também “um repositório de biodiversidade,
pois 80% da biodiversidade europeia está ali localizada”.“E,
ainda, não menos importante, em relação à participação da UE na
concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações
Unidas e da própria União Europeia, em que, por exemplo, somos pioneiros
e liderantes - os Açores -, que já reservaram 30% do seu mar, com Áreas
Marinhas Protegidas”, disse.Na sua
opinião, a região que lidera não necessita de obrigações para as
importantes metas ambientais: “Fazemo-las por vontade própria.
Precisamos sim, de incentivos para continuar a fazer o bem feito”.Os
Açores ocupam, com as suas nove ilhas, cerca de um milhão de
quilómetros quadrados de Zona Económica Exclusiva (ZEE), grande parte do
Atlântico Norte, o que corresponde a “mais de metade da ZEE de
Portugal”, salientou.“É por isto que tenho
defendido a transformação de regiões de necessidades, que são e
continuarão a ser, devido à sua condição singular, em regiões de
oportunidades. Recebemos muito da UE, mas contribuímos muito e podemos
ainda contribuir mais para o projeto europeu, para o futuro da Europa”,
assumiu.Bolieiro salientou que os Açores são, no Atlântico, um “centro de influência com potencial para ser uma referência da Europa”.“Investigação,
inovação, conhecimento do mar profundo, mas também de proteção das
infraestruturas submarinas críticas. E recordo a frota fantasma russa ou
embarcações de pesca chinesas no Atlântico, ou da monitorização e
proteção do espaço aéreo e espacial ou dos cabos submarinos de fibra
ótica”, especificou.Nesse sentido, diz que
deve haver um interesse estratégico da UE na garantia de que os Açores e
as regiões ultraperiféricas “mantêm e reforçam as condições de
utilização de infraestruturas para usufruto da defesa da UE e das suas
políticas e dos seus interesses”.“É do
interesse da UE que os equipamentos coletivos relacionados com as
acessibilidades mantenham o máximo grau de operacionalidade. É do
interesse da UE que o mar dos Açores, as nossas áreas marinhas
protegidas, a nossa economia azul, sejam acompanhados por ciência e
inovação, com medidas concretas tecnológicas no âmbito da ação da União
para a segurança e defesa e para a sustentabilidade ambiental”,
defendeu.Referiu ainda que, no âmbito do
próximo Quadro Financeiro Plurianual, coesão, competitividade e
segurança coletiva “são três pilares indeclináveis”, tal como o respeito
pela singularidade das regiões ultraperiféricas.“Temos
pugnado pela adoção de um programa específico, vulgo POSEI, no âmbito
do artigo 349.º do tratado para os transportes nas regiões
ultraperiféricas”, lembrou.E concluiu:
“Temos contado com o apoio do Parlamento Europeu. A própria Comissão
Europeia tem reconhecido a sua validade, mas precisamos de ação. Ação
urgente”.