Bolieiro diz que vai negociar diplomas "caso a caso" incluindo para orçamento de 2024
10 de mar. de 2023, 15:48
— Lusa
“Não
apresentaremos instrumentos geradores de instabilidade, designadamente
uma moção de confiança. Os outros farão o que entenderem, mas pelas
declarações do Presidente da República, provavelmente não será
apresentada uma moção de censura. As negociações serão caso a caso.
Quanto ao orçamento de 2024, as negociações serão feitas, nessa altura
se verá”, afirmou José Manuel Bolieiro, em conferência de imprensa na
Horta.Em entrevista à RTP e ao Público,
divulgada na quinta-feira à noite, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de
Sousa, disse que se informou com os principais protagonistas políticos
dos Açores e que "não se coloca neste momento aquilo que levaria à
intervenção do Presidente". Hoje, na
conferência de imprensa, José Manuel Bolieiro salientou que o Governo
Regional não vai “iniciar nada agora”, depois de o deputado da
Iniciativa Liberal (IL), Nuno Barata, e parlamentar independente
(ex-Chega), Carlos Furtado, terem rompido o acordo de incidência
parlamentar, e que o que o aconteceu não altera a postura “de diálogo e
concertação”.“Estou sereno. Serei sempre
um referencial de estabilidade. As diligências [junto de outros
partidos] vão ser sempre feitas porque existem, além dos orçamentos,
outros diplomas fundamentais para a governabilidade”, observou.O
social-democrata afirmou ainda estar “habituado a acompanhar a riqueza
parlamentar, onde há uma geometria variável nas votações”, destacando
que, apesar disso, “98% das propostas que o Governo apresentou estão
aprovadas”.“A estabilidade governativa, a
da coligação [PSD/CDS-PP/PPM], está garantida. Quanto à realidade
parlamentar, temos condições políticas – talvez condicionadas, não vou
negar – e legais, para continuar a governar. Como disse desde logo o
líder da IL, as negociações serão caso a caso”, insistiu. O
presidente do executivo açoriano explicou também que recusa a
apresentação de uma moção de confiança porque ela “centra o debate numa
crise artificial e penaliza a governação nos Açores”, enquanto o Governo
Regional deve estar preocupado com a transição para o pacote financeiro
de 2030 dos fundos comunitários ou a “salvar a SATA”.“É nisso que quero o Governo focado e não na artificialidade do debate político”, sublinhou.Na
entrevista à RTP e ao Público, o chefe de Estado lembrou ainda que "o
representante da República participa na formação do Governo, mas para
dissolver só o Presidente da República".Também
na quinta-feira, o vice-presidente do PS/Açores, Berto Messias, disse
que não está nos objetivos do partido apresentar uma moção de censura ao
Governo Regional.“Quem tem, desde a
primeira hora, de garantir se tem ou não condições para continuar a
governar a região, nas condições em que tem governado, é o Governo e os
partidos que o suportam e não o PS”, explicou.O
PS venceu as eleições legislativas regionais de 25 de outubro de 2020
nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos,
elegendo 25 deputados.Em 07 de novembro, o
representante da República, Pedro Catarino, indigitou o líder da
estrutura regional do PSD, José Manuel Bolieiro, como presidente do
executivo açoriano, justificando a decisão com o facto de a coligação
PSD/CDS-PP/PPM ter apoios que lhe conferiam maioria absoluta na
assembleia legislativa.Por outro lado,
Pedro Catarino sublinhou, na altura, que o PS não apresentou "nenhuma
coligação de governo", apesar da vitória nas eleições.Os
três partidos que integram o Governo Regional têm 26 deputados na
assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio parlamentar do
deputado do Chega, José Pacheco, somando assim 27 lugares num total de
57, pelo que perdem a maioria absoluta. A oposição tem agora 30
deputados, quando antes tinha 28.