Bolieiro diz que usou "dureza das palavras" para reivindicar apoios para agricultores açorianos
Hoje 16:50
— Lusa/AO Online
“As
ajudas nacionais não são uma opção de decidir se é para o continente
apenas, excluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira da nossa
economia. Se é nacional, é para o todo nacional. E eu quero deixar
também bem evidente: fizemos a reivindicação com a dureza das palavras,
quanto à incompreensão que seria da nossa parte se não fossem estendidas
aos Açores”, afirmou José Manuel Bolieiro.O
chefe do executivo açoriano, que falava, em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, na cerimónia de abertura da Feira Agrícola Açores, disse ter o
“compromisso do Governo da República” de que vai tornar
“verdadeiramente nacional” o apoio aos agricultores.Na
semana passada, o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge
Rita, revelou que o Governo da República se tinha comprometido a alterar
a resolução do Conselho de Ministros que excluiu os agricultores
açorianos dos apoios destinados a mitigar os efeitos do aumento dos
custos dos fertilizantes, após se ter reunido com o ministro da
Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes na Feira Nacional da
Agricultura, em Santarém.Na abertura da
Feira Agrícola Açores, Jorge Rita garantiu que o movimento associativo
na área da agricultura está disponível para trabalhar em articulação com
o Governo Regional dos Açores, para combater “as injustiças que são
cometidas pela República”.“Os Açores dão
mais Portugal a Portugal e dão muito mais Europa à Europa. Portanto, nós
não estamos a pedir, não estamos de mão estendida, estamos a exigir
aquilo que nós temos direito e também somos Portugal”, vincou.O
presidente da Federação Agrícola dos Açores alertou para o aumento dos
custos dos fatores de produção, provocado pelas várias guerras em curso,
e defendeu que a Europa não pode estar “fechada nos seus gabinetes” a
fazer legislação “sem conhecer a realidade”.Nesse
sentido apelou a deputados e governantes para que reivindiquem junto da
União Europeia que o novo quadro comunitário de apoio não retire
autonomia às regiões ultraperiféricas na gestão dos apoios que lhes são
destinados.“Quando se fala do POSEI,
fala-se de ajudas diretas para a região de 77 milhões de euros anuais.
Não é que vamos perder essa verba, quase de certeza absoluta que não.
Podemos é perder parte e podemos perder a autonomia daquilo que nós
sabemos fazer bem feio, que é a distribuição do POSEI por todas as ilhas
e muitas delas com discriminações positivas”, alertou.O
presidente do Governo Regional dos Açores defendeu que a atribuição de
apoios aos agricultores não está “a criar uma economia de ficção”, mas a
“valorizar a economia real”, porque as subvenções públicas garantem “um
preço justo ao consumidor”, compensando os sobrecustos dos fatores de
produção.O governante sublinhou que o
Valor Acrescentado Bruto (VAB) do setor agrícola e das agroindústrias
nos Açores atingiu 354 milhões de euros em 2024, “o valor mais alto dos
últimos 30 anos”.José Manuel Bolieiro
afirmou ainda que o executivo tem assegurado “previsibilidade e
regularidade” nos apoios públicos, dando como exemplo várias
candidaturas que estão atualmente a decorrer, como o apoio à aquisição
de sementes de milho e sorgo, que será majorado em 30% devido às
intempéries ocorridas em 2025.“As
candidaturas da reconversão das explorações de produção de leite em
carne bovina nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, no passado
dia 01 deste mês foram abertas. Há, pois, previsibilidade e cumprimento
dos compromissos”, vincou.Também na
abertura da feira, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira,
José António Azevedo, disse que as instituições nacionais e europeias
não podem dar a autonomia alimentar como um “dado adquirido”.“Temos
cada vez um setor mais envelhecido. A média dos Açores é de 54 anos e a
nível nacional de 64. É importante apoiar os jovens à primeira
instalação ao investimento, mas é extremamente necessário dar
estabilidade de rendimentos e afastar o estigma de que o produtor da
agrícola anda sempre sujo e tem de trabalhar 16 horas por dia”,
sublinhou.