Bolieiro diz que Programa do executivo de Montenegro é de continuidade
Governo
17 de jun. de 2025, 10:00
— Lusa/AO Online
“Um
Programa do Governo é exatamente isso, é programático e não é [uma]
efetiva execução das políticas públicas. Eu encaro o Programa do Governo
como de continuidade e [que contempla] o reforço reformista
relativamente à governação do anterior governo, de duração de apenas um
ano”, disse o social-democrata José Manuel Bolieiro aos jornalistas, à
margem de uma reunião com a mesa do Conselho de Ilha de São Miguel, em
Ponta Delgada.Bolieiro adiantou que tem a
expectativa da “componente prática da sua execução, as políticas
públicas, as orientações ou as grandes opções do plano e,
designadamente, por exemplo, no que diz respeito às autonomias, uma
revisão alta da Lei de Finanças das Regiões Autónomas”.“O
compromisso de um Governo da República de assumir medidas nacionais de
incentivo e apoio aos empresários e aos cidadãos não apenas para o
continente, mas para o país inteiro e compreensão do valor que os Açores
representam para o país enquanto região de oportunidades,
designadamente no que tem a ver com a sua dimensão atlântica”,
acrescentou.O líder do executivo açoriano
de coligação lembrou que no discurso que proferiu no Dia da Região
sinalizou alguns assuntos pendentes de resolução, apesar de muitas das
situações “terem sido resolvidas no anterior Governo”, e disse que numa
reunião que irá ter com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deverá ser
marcada a realização de uma cimeira dos governos dos Açores e da
Madeira com o novo executivo da República. A
cimeira deverá realizar-se “o mais rapidamente possível”, defendeu,
recordando que estava planeada para acontecer no primeiro trimestre
deste ano, mas não se concretizou devido às eleições legislativas
antecipadas.Relativamente à reunião com o
primeiro-ministro, José Manuel Bolieiro adiantou que será para
revisitação das pendências, para reforçar a visão reformista e o
compromisso com o Governo, para que “tome decisões para o país inteiro e
não apenas para o continente, e possa ter, no quadro da autonomia de
responsabilização, o entendimento de cumprimento das obrigações do
Estado para com os Açores”.“Precisamos de
uma revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas em alta e
verdadeiramente reformista, que pode dar conteúdo a esta ideia que o
Programa do Governo prevê relativamente a um sistema fiscal para as
regiões autónomas, mas nós precisamos é de uma lei que em termos de
regime financeiro, seja justa para com as Regiões Autónomas na
distribuição da riqueza nacional”, defendeu.O
líder do executivo açoriano adiantou ainda que o professor Eduardo Paz
Ferreira entregou na semana passada o estudo técnico, tanto à Madeira
como aos Açores, da proposta de revisão da Lei de Finanças Regionais,
que também fará parte do conteúdo da negociação a formular junto do
Governo da República.O Programa do XXV
Governo Constitucional saído das legislativas de 18 de maio foi entregue
no sábado na Assembleia da República, pelo ministro dos Assuntos
Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, e será discutido na terça e
quarta-feira.No capítulo das autonomias
regionais, o Governo declara ser preciso “garantir o Princípio da
Continuidade Territorial, assumindo a República as suas
responsabilidades ao nível do transporte marítimo e aéreo de pessoas e
mercadorias, nas comunicações, na cultura e no desporto”.Aponta,
também, para a revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas e
análise da possibilidade de criação de Sistemas Fiscais Regionais.O
segundo Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro tomou posse no
final da semana passada e é composto 60 elementos (além do
primeiro-ministro, 16 ministros e 43 secretários de Estado), um terço
dos quais mulheres.