Bolieiro diz que Pedro Catarino representou a autonomia e o povo dos Açores
Hoje 09:13
— Lusa/AO Online
“Sempre senti que
esta missão foi cumprida mais como representante da autonomia política
dos Açores, do povo açoriano e dos interesses e do valor geopolítico e
geostratégico dos Açores na República, do que propriamente um
representante da República que se impõe no povo dos Açores e na
autonomia política”, afirmou.O presidente
do Governo Regional dos Açores falava, em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, à margem de uma apresentação de cumprimentos de despedida de
Pedro Catarino, que desempenhou o cargo de representante da República
para a Região Autónoma dos Açores durante três mandatos.Bolieiro
descreveu Pedro Catarino como “uma personalidade de caráter,
conhecimento e experiência bem firmes no seu vasto exercício
profissional enquanto Embaixador, em representação de Portugal no
estrangeiro e na profunda compreensão que tem da democracia portuguesa,
do valor da política e do prestígio das instituições”.“Foi
uma personalidade sempre muito cordial, cortês, disponível para um
relacionamento que tinha a forma protocolar e institucional
corretíssima, e o afeto de um relacionamento pessoal sempre de muita
proximidade”, frisou.Pedro Catarino disse
ter sido uma honra “muito especial” e um desafio exercer as funções de
representante da República, “o ponto culminante de uma longa carreira
dedicada ao serviço público”.“A minha
preocupação principal foi apoiar os Açores e os açorianos e os órgãos
do governo próprio da região. Foi apoiar a autonomia consagrada como ela
está na Constituição de 1976 e foi, ao mesmo tempo, servir os Açores e
Portugal e conciliar a autonomia e o seu reforço, a sua consolidação, o
seu progresso gradual que se tem revelado nestes 50 anos, com a unidade
nacional”, apontou.O representante da
República, nomeado por Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, disse
deixar o cargo com a sensação de ter feito tudo o que foi possível para
desempenhar cabalmente a função.“Mantive
sempre com os órgãos de poder regionais uma relação correta, amigável,
construtiva. Nunca procurei interferir nas responsabilidades e nas
competências dos órgãos próprios da região e devo agradecer ao sr.
presidente do Governo Regional a forma como me manteve sempre informado,
a forma como nos consultámos mutuamente sobre os problemas relativos à
governação da região, do país, à situação internacional”, referiu.Questionado sobre as memórias que guarda do arquipélago, Pedro Catarino disse que os Açores são “uma terra maravilhosa”.“As
nove ilhas, qualquer delas, têm uma beleza indizível que é difícil de
explicar a sensação que se tem, o ar que se respira. Levo uma recordação
fantástica que vai perdurar até o último dia da minha vida”, sublinhou.Nascido
em Lisboa em 1941, Pedro Catarino liderou a delegação portuguesa ao
Grupo de Ligação Conjunto luso-chinês sobre o futuro de Macau, presidiu à
Comissão Interministerial sobre Macau e chefiou a delegação que
negociou o acordo luso-americano sobre a Base das Lajes e o Acordo de
Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, tendo presidido à
Comissão Interministerial sobre as relações entre os dois países.Desempenhou
o cargo de representante permanente de Portugal junto das Nações
Unidas, foi embaixador em Pequim e em Washington, administrador
não-executivo da Agência Portuguesa para o Investimento, presidente do
Alto Conselho para o Investimento Direto Estrangeiro e presidente da
Comissão Permanente de Contrapartidas, tendo sido, ainda, enviado
especial do Governo para a candidatura de Portugal ao Conselho de
Segurança das Nações Unidas.