Bolieiro diz que negociações do Orçamento são agora uma “questão parlamentar”
19 de nov. de 2021, 15:27
— Lusa/AO Online
“As
questões são de caráter parlamentar. Da parte do governo está tudo
resolvido”, afirmou Bolieiro, quando questionado sobre o facto de o
deputado único do Chega/Açores, José Pacheco, ter deixado em aberto
o sentido de voto no Orçamento da região.“O
governo fez tudo o que tinha de fazer relativamente à preparação de um
Orçamento e de um Plano que pudesse merecer consensos e que, sobretudo,
servisse bem a governação dos Açores”, insistiu Bolieiro, falando aos
jornalistas à margem da Conferência dos Presidentes das Regiões
Ultraperiféricas que decorre em Ponta Delgada.José
Manuel Bolieiro não quis comentar as declarações de José Pacheco, uma
vez que, disse, não acompanhou a conferência de imprensa do deputado
único do Chega no parlamento açoriano, na qual foram referidas
negociações e conversas em curso com o Governo.“Fizemos,
da nossa anteproposta para a proposta, as alterações que correspondiam a
um consenso que permitiu ter um Plano e Orçamento, à informação à data,
compatível com a boa governação para os Açores. De resto, nada mais a
dizer. A cada a um a sua responsabilidade”, notou.O
deputado do Chega nos Açores disse hoje que “nada está fechado” quanto
ao Orçamento para 2022, dependendo de negociações em curso, incluindo
para um novo acordo parlamentar, e de o partido ser tratado “com
respeito”, regional e nacionalmente.“Estamos
em crer que as negociações que ainda decorrem [com o presidente do
Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM] podem resultar em
compromissos sérios. Mas, para que tal aconteça, exigimos que comecem a
tratar o Chega com o respeito que merece. E refiro-me às relações tanto
nos Açores como a nível nacional. Ou entendem que somos um partido
confiável ou não contem connosco”, afirmou José Pacheco, em conferência
de imprensa em Ponta Delgada.A Direção
Nacional do Chega pediu na quarta-feira à estrutura partidária açoriana
para retirar o apoio ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), tendo o seu
deputado único no arquipélago, José Pacheco, dito que ainda está em
“negociações” com o executivo e que é sua a “última palavra”.A
Assembleia Legislativa é composta por 57 eleitos e a coligação de
direita – que representa 26 deputados - precisa de mais três
parlamentares para ter maioria absoluta.Como
a coligação assinou um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o
PSD com a Iniciativa Liberal, era esperada a viabilização do Orçamento
Regional 2022 por estes partidos, bem como pelo deputado independente
(que manteve o apoio ao executivo quando saiu do Chega).Porém,
a IL tem ameaçado votar contra, referindo agora que continua “a lutar”
nas negociações, e o deputado independente, Carlos Furtado, afirmou que o
entendimento parlamentar pós-eleições “já morreu”, pelo que “ou as
pessoas mudam ou mais vale ir para eleições”.O
parlamento conta ainda com mais 28 deputados: 25 deputados do PS, que
já anunciou o voto contra, dois do BE, que admitiu votar contra, e um do
PAN. Neste último caso, o deputado único, que se absteve sobre o
Programa de Governo e o Orçamento Regional 2021, aguarda apenas a
validação da comissão política local para votar contra o Orçamento 2022,
discutido na próxima semana.