Bolieiro diz que "não há nenhum desnorte" do Governo dos Açores

Covid-19

3 de mai. de 2021, 13:24 — Lusa/AO Online

“Nós não fazemos as coisas por intuição, mas sim por dados científicos. Estamos a acompanhar com rigor científico o evoluir epidemiológico”, acrescentou o social-democrata José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas.O chefe do executivo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, falava após uma visita à escola Luísa Constantina, na vila de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel.Os alunos do primeiro e segundo anos do ensino básico e os do secundário que fazem exame nacional retomaram hoje as aulas presenciais em São Miguel, a maior e mais populosa ilha açoriana, que concentra o maior número de casos de Covid-19, totalizando hoje 186 casos ativos.Desde o dia 22 de março que todas as escolas de São Miguel estavam em regime de ensino à distância e alguns concelhos já se encontravam nesse regime, devido à pandemia de Covid-19, o caso dos estabelecimentos de ensino de Rabo de Peixe.O chefe do executivo açoriano sublinhou que se trata de um regresso de “forma progressiva e cautelosa” e transmitiu uma palavra de confiança aos professores, pessoal não docente e alunos que, na ilha de São Miguel, retomaram hoje as aulas presenciais."Temos tido uma relação muito prudente entre aquela que é a orientação da Autoridade de Saúde Pública e aquelas que são as opções pedagógicas da Secretaria Regional da Educação", reforçou, voltando a alertar que é fundamental, nomeadamente em São Miguel, onde existe transmissão comunitária do vírus, que cada pessoa “valorize” eventuais sintomas e contacte telefonicamente as linhas de apoio médico a fim de ser testada à Covid-19.José Manuel Bolieiro frisou que a "saúde publica não é determinada por decreto", mas "pelo comportamento responsável de cada um", sobretudo em matéria epidemiológica.Questionado sobre críticas em relação à gestão da pandemia em São Miguel e sobre a alteração no Plano Regional de Vacinação, com os docentes e não docentes a serem integrados na segunda fase, Bolieiro sustentou que terminada a primeira fase de vacinação “com critérios muito objetivos e bem-sucedidos” esta segunda fase “é mais dinâmica de acordo com as circunstâncias concretas”."Não há nenhum desnorte. Pelo contrário, há sobretudo a atitude de não sermos cegos, surdos e mudos perante as circunstâncias. E a verdade é que, quer sob o ponto de vista científico, quer sob o ponto de vista das opções que assumimos fizemos as alterações", sublinhou o chefe do executivo açoriano. José Manuel Bolieiro garantiu, ainda, aos jornalistas que o Governo dos Açores está "a agir bem e com norte" no combate à pandemia e acrescentou que se for verificado que uma medida "não é adequada" está "sempre disponível com humildade democrática" para "ouvir" a população."Eu dou-me bem com isso que é ouvirmos humildemente, reconhecer as dificuldades concretas. Antes excessivos na prudência do que negligentes na ação", referiu, assegurando que o objetivo é o regresso "de forma progressiva à normalidade" e a retoma das atividades económicas, mas colocando "em primeiro lugar a saúde" e sobretudo "com o bom aconselhamento científico".José Manuel Bolieiro foi também questionado sobre várias críticas em relação à atuação do presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Luta Contra a Pandemia de Covid-19, Gustavo Tato Borges, que, na conferência de imprensa de quinta-feira, criticou o título de uma reportagem do Açoriano Oriental, colocando um sinal de proibido por cima, tendo sugerido um título alternativo ao original: "Restrições transformam Ponta Delgada em cidade fantasma".O presidente do Governo dos Açores disse que "não há razão nenhuma" para afastar do cargo Tato Borges.O chefe do executivo açoriano disse ainda que hoje terá a oportunidade de na visita ao jornal Açoriano Oriental reafirmar "a posição do Governo", e a sua "pessoalmente", relativamente "à importância da liberdade de imprensa e ao enorme respeito que a comunicação social merece deste Governo". Sobre as várias cartas recentemente enviadas ao chefe do executivo açoriano, entre elas do líder regional da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, e do anterior presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, em relação à gestão da pandemia, em concreto na ilha de São Miguel, Bolieiro sublinhou que "toda a carta tem direito a resposta", salientando a sua "abertura" ao diálogo.José Manuel Boleiro sublinhou ainda que o executivo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, e que conta com o apoio parlamentar do deputado único da Iniciativa Liberal e dos dois deputados do Chega, "tem um programa de Governo, tem objetivos estratégicos para cumprir e está a cumpri-los".