Bolieiro diz que montante dedicado à habitação nos Açores é “escassíssimo”

PRR

1 de fev. de 2023, 13:19 — Lusa/AO Online

“As disponibilidades financeiras são sempre escassas. Mesmo o PRR dedicado à Região Autónoma dos Açores é não escasso, mas sim escassíssimo, tendo em conta o que foi planeado ainda na anterior legislatura, antes deste governo”, declarou José Manuel Bolieiro, numa alusão ao que o anterior executivo regional socialista negociou com o Governo da República, também socialista. O social-democrata defendeu que é preciso fazer um “exercício de inteligência estratégica, de gestão e otimização de recursos dos meios disponibilizados ao poder local e à Região Autónoma dos Açores para melhorar a oferta de habitação”.O líder do executivo açoriano presidiu à adjudicação da empreitada de execução das infraestruturas de um loteamento em Santa Clara, no concelho de Ponta Delgada, à empresa Albano Vieira, Lda. A obra está orçada em 464.406,01 euros.Já na terça-feira, o presidente do Governo dos Açores disse que vai reivindicar que um eventual reforço das verbas do PRR por parte da União Europeia para o país contemple 5% para a região.Os Açores já receberam cerca de 100 milhões de euros ao abrigo do PRR, sendo que, no total, serão 580 milhões de euros, até 2026, para 11 projetos apresentados pelo arquipélago.O vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, também já havia apontado que o valor do PRR destinado à habitação é "manifestamente insuficiente" e "mais insuficiente se torna agora com o aumento da inflação".Na cerimónia de hoje, o líder do executivo açoriano considerou que “a habitação é uma pedra basilar para promover a inclusão social e a cidadania” e que “uma família com uma habitação condigna verdadeiramente se tornará mais sociável, inclusiva, promotora de uma cidadania ativa e saudável”.O governante ressalvou que desta forma se promove também “mais sucesso na empregabilidade ou no desempenho profissional que os ativos familiares tenham”, bem como o “sucesso educativo dos filhos”.Bolieiro destacou a necessidade de se promover a eficiência energética nas novas comunidades habitacionais, no quadro das exigências do PRR, e defendeu a necessidade de “eliminar o risco da guetização”. O presidente do Governo Regional apontou que o loteamento de Santa Clara integra o “passo decisivo de um modelo político e doutrinário de governação de verdadeira inclusão social, de estratégia de desenvolvimento dos territórios, de promoção da pessoa e da família”.Os trabalhos a executar pela Vice-presidência do Governo Regional na empreitada do loteamento contemplam a rede viária, a rede de abastecimento de água, a rede de drenagem de águas pluviais e residuais, bem como a rede elétrica de iluminação pública e telecomunicações.A empreitada tem um prazo de execução de 180 dias e contempla a construção de 22 novas moradias.A Vice-presidência do Governo Regional com este investimento visa “aumentar a oferta pública de habitação, quer em regime de arrendamento acessível, quer sob a forma de arrendamento com opção de compra, num claro combate ao aumento dos custos com a habitação por parte das famílias açorianas”.