Bolieiro diz que era digital “transformou profundamente” relações sociais e comunicacionais
5 de jun. de 2025, 16:24
— Lusa/AO Online
Ao
discursar em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na abertura das VII
Jornadas Açorianas de Direito, com o tema “Liberdade de Expressão”, o
líder do executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM referiu que a
temática não pode ser mais atual, “num tempo em que a verdadeira
liberdade de expressão e outras liberdades são agredidas, limitadas e
postas em causa, em momentos de instabilidade social e política”.“A
evolução das sociedades e das formas de comunicação é cada vez mais
estonteante. Há cada vez mais comunicação desmaterializada, através das
redes sociais, do recurso à inteligência artificial e através da geração
de conteúdos falsos e de ‘fake news’, que rapidamente se tornam virais à
escala global, colocando a liberdade de expressão sob ‘stress’, pois, a
coberto de ferramentas informáticas indetetáveis, é possível dizer tudo
de todos, especialmente de figuras públicas, e com abrangência global”,
afirmou.Bolieiro disse que “a tentação de
muitos” - que rejeita - “é a de limitar a liberdade de expressão, como
forma de policiar a opinião, a que se seguiriam, inevitavelmente, outras
formas sofisticadas de cercear a livre expressão”.“Porém,
estamos todos confrontados com graves deturpações da verdade e das
decisões, que rapidamente são tomadas como novas verdades”, assumiu.Na
sua opinião, não há democracia sem liberdade de expressão e sem
liberdade de imprensa, pois “é através delas que as pessoas podem
questionar o ‘status quo’, expressar descontentamento, defender causas,
ou simplesmente compartilhar as suas visões do mundo”.O
governante assinalou, no entanto, que a era digital “veio trazer um
novo paradigma e transformou profundamente as relações sociais e
comunicacionais, impactando as indústrias culturais e criativas e
alterando a forma como o conteúdo é produzido, distribuído e consumido”.“Esta
evolução, embora nos ofereça novas e significativas oportunidades para a
comunicação, apresenta simultaneamente desafios consideráveis aos
processos democráticos, com um aumento constante da desinformação,
manipulação e discurso de ódio e atentados à honra no ecossistema
digital”, disse o chefe do Governo Regional dos Açores.E
acrescentou: “A população encontra-se atualmente inundada por um volume
massivo de informação, o que dificulta a compreensão de algumas
notícias, a identificação de fontes fidedignas e o acesso ao conteúdo de
qualidade”.Na sua intervenção, colocou
ainda algumas questões “pertinentes”: “O advento da internet e das redes
sociais trouxe ou não uma revolução sísmica, alterando radicalmente a
dinâmica da comunicação e, com ela, as tendências de interação social e
política?”, “As teorias da comunicação do século XXI aproximam-se, ou
não, de modelos mais sistémicos e complexos, onde a informação não é
apenas difundida, mas também cocriada, filtrada por algoritmos e
consumida em bolhas de informação?” e “Neste novo ecossistema, o papel
da liberdade de imprensa e da liberdade de informação enfrenta ou não
desafios inovadores?” A concluir a sua
intervenção, José Manuel Bolieiro disse que é urgente refletir sobre
“esta complexidade sistémica e ponderar se será necessário ou não que se
tomem medidas eficazes”, pois a credibilidade da informação, a
literacia da comunicação e a dignidade de cada cidadão “merecem
proteção”.Participam nas VII Jornadas
Açorianas de Direito, que terminam na sexta-feira, vários especialistas
nacionais, que apresentam reflexões jurídicas e académicas sobre os
limites, responsabilidades e tensões da liberdade de expressão nas suas
várias dimensões.