Bolieiro diz que decisão de Marcelo “foi um bem para o país”
10 de nov. de 2023, 17:54
— Lusa
“A inevitabilidade
de uma solução de disrupção da Assembleia da República, não foi
acompanhada com irresponsabilidade orçamental, pelo contrário. À crise
governativa com a demissão do primeiro-ministro e da opção reputacional
relativamente ao funcionamento dos órgãos de soberania e às posições
previamente assumidas, a dissolução da Assembleia da República não foi
acompanhada de uma crise orçamental”, disse José Manuel Bolieiro.O
presidente do PSD/Açores e também líder do Governo Regional falava hoje
em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no encerramento das jornadas
parlamentares da coligação que integra o executivo açoriano
(PSD/CDS-PP/PPM).“Há, por isso, uma
atitude de responsabilidade: do primeiro-ministro que se disponibilizou,
e bem, para continuar em funções até à data da sua substituição
legítima, bem como, a opção, por parte de sua excelência o Presidente da
República de assinar o decreto de demissão do primeiro-ministro,
consequentemente do Governo, e da dissolução da Assembleia da República,
em data que permite a estabilidade orçamental do país”, salientou.Assim, afirmou, “isto foi um bem para o país, um bem para as regiões autónomas e um bem para as autarquias locais de Portugal”.Ainda
relativamente à aprovação do Orçamento do Estado para 2024, que está a
ser discutido na especialidade da Assembleia da República, com a votação
final global do documento agendada para 29 de novembro, José Manuel
Bolieiro notou que será sempre possível o futuro executivo que sair das
eleições de 10 de março fazer alterações.E, entretanto, “confere-se alguma serenidade no percurso financeiro e económico do país”, considerou.“Creio
que é um exemplo de uma atitude responsável”, reforçou, lembrando que,
na terça-feira, quando falou sobre o pedido de demissão do
primeiro-ministro, o socialista António Costa, “tinha apontado esse
caminho”.Na terça-feira, o
primeiro-ministro pediu a demissão do cargo ao Presidente da República,
que a aceitou, após o Ministério Público revelar que é alvo de
investigação autónoma do Supremo Tribunal de Justiça sobre projetos de
lítio e hidrogénio, na sequência de referências à sua intervenção para
desbloquear procedimentos.Numa declaração
no Palácio de São Bento, António Costa recusou a prática “de qualquer
ato ilícito ou censurável” e manifestou total disponibilidade para
colaborar com a justiça “em tudo o que entenda necessário”. Ainda
no âmbito da investigação aos negócios do lítio e do hidrogénio verde,
foram detidos o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária, o
presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, dois administradores
da sociedade Start Campus e o consultor e advogado Diogo Lacerda
Machado, próximo de Costa.Foram ainda
constituídos como arguidos o ministro das Infraestruturas, João Galamba,
o presidente do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente
(APA), Nuno Lacasta, o advogado e antigo porta-voz do PS, João Tiago
Silveira, e a empresa START – Sines Transatlantic Renewable &
Technology Campus SA.De acordo com a PGR,
estarão em causa neste inquérito os crimes de prevaricação, de corrupção
ativa e passiva de titular de cargo político e de tráfico de
influência.Na quinta-feira, o Presidente
da República anunciou que vai dissolver a Assembleia da República e
convocar eleições antecipadas para 10 de março de 2024.Contudo,
irá adiar a publicação do decreto de dissolução, permitindo a votação
final global do OE2024, que tem aprovação garantida devido à maioria
absoluta do PS.O processo de especialidade
do Orçamento no parlamento continua a decorrer, mantendo-se as audições
previstas dos ministros para defender a proposta.