Bolieiro diz que colocou segurança acima da pressa em estrada encerrada na Terceira

Hoje 14:57 — Lusa/AO Online

“Não é apenas encurtar, é garantir segurança máxima. Nós não alinhámos a nossa opção na pressa, nem no encurtamento. Nós soubemos o sacrifício que estávamos a gerar, apesar de termos encontrado uma via alternativa, através de uma intervenção de Serviços Florestais, para ter a ligação necessária para diminuir o sacrifício. Nós procurámos fazer bem”, afirmou o chefe do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro.O presidente do Governo Regional inaugurou a obra de estabilização de talude na estrada que liga as freguesias do Raminho e da Serreta, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, que representou um investimento de cerca de 2,6 milhões de euros.Um sismo de 4,5 na escala de Richter, a 14 de janeiro de 2024, provocou uma derrocada na encosta da única estrada que ligava as duas freguesias, levando ao seu encerramento durante mais de dois anos.A intervenção, numa extensão de 500 metros, foi adjudicada em fevereiro de 2025, por 2,3 milhões de euros, com um prazo de execução de seis meses, mas a estrada só foi reaberta à circulação no dia 02 de abril de 2026.HNa cerimónia de inauguração, José Manuel Bolieiro sublinhou que foi uma “obra complexa”, que obrigou a agir com conhecimento e sem precipitação, vincando que houve um esforço de “fazer bem feito, no tempo adequado”.“Tarde é o que nunca chega, e, quando chega bem, vale a pena a espera. Essa era a primeira mensagem que eu queria aqui transmitir, porque sei da inquietude e da ansiedade que resultou deste período”, apontou.O presidente do Governo Regional lembrou que o sismo de 14 de janeiro de 2024, inserido na crise sismovulcânica de Santa Bárbara, que decorre desde junho de 2022, “implicou a queda de blocos rochosos muito volumosos”.“Quem quiser minimizar o nível de risco e a exigência prudencial da obra, como ela acabou de ser concebida e realizada, deve reportar a sua memória àquele acontecimento. Felizmente, sem drama, nem tragédia humana, mas, manifestamente, a demonstração do risco e da força da natureza. Nós estamos a intervir na natureza, de modo a que ela seja amiga do uso humano”, frisou.A regularização do talude, alegou, implicou “escavações, que levaram tempo e que tiveram de ser feitas com segurança para os próprios trabalhadores”.Foram ainda construídas “banquetas que permitem consolidar o talude”, uma “barreira de proteção e o respetivo muro de suporte”, para assegurar a circulação, com “tranquilidade” de carros e peões, numa zona, situada junto a um miradouro, que é também procurada por turistas.A obra incluiu também um sistema de drenagem, para ajudar à conservação e manutenção do talude, e a repavimentação do troço.Perante os autarcas das freguesias afetadas e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o chefe do executivo açoriano afirmou que o município fica valorizado com “uma instalação em estrada melhor do que alguma vez teve na história”, na ligação entre o Raminho e a Serreta.Aos deputados regionais presentes, Bolieiro disse que, no debate político, não se pode “apenas marcar presença no momento da crítica, da reivindicação e da assunção da responsabilidade”, mas também, "testemunhando a qualidade das realizações", "enaltecer o trabalho feito em nome do povo, para o povo e pelo povo”.