Bolieiro diz que coligação PSD/CDS-PP/PPM não anula identidade dos partidos
Hoje 16:11
— Lusa/AO Online
“Eu fiz sempre questão de afirmar, enquanto líder também da coligação, que a coligação
não anula a identidade de cada um dos partidos. Fiz sempre por isso e,
mesmo que alguns ficassem incomodados, eu nunca fiquei”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, à margem a uma visita ao Hospital da Ilha
Terceira.O chefe do executivo açoriano,
que lidera o PSD nos Açores, falava em reação a declarações do líder do
CDS-PP/Açores e vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, que
disse, no congresso nacional do partido, que o CDS-PP está pronto para
ir a eleições sozinho nos Açores e que está “no Governo por direito
próprio”.Questionado sobre o facto de o
dirigente centrista ter dito que o partido não tinha medo de ir a
eleições sozinho, Bolieiro manifestou “concordância”, alegando que “era o
que faltava um democrata a ter medo da democracia”.O
líder regional social-democrata vincou que PSD, CDS-PP e PPM integraram
“um projeto político alternativo e que gerou uma alternância nos
Açores”, mas ressalvou que a coligação “não eliminou a autonomia de cada
um dos partidos políticos”.José Manuel
Bolieiro disse que o primeiro mandato “foi interrompido, porque alguns,
erradamente, punham em causa a legitimidade democrática”, mas assegurou
que tem intenção de cumprir o segundo mandato até ao fim.“Os
mandatos democráticos são de quatro anos e, portanto, o objetivo é
cumprir. Se outros são responsáveis pela instabilidade, responderão por
ela e por essa responsabilidade. Eu quero ser responsável por bem
governar e pela estabilidade política e governativa”, frisou.Em
2020, o PS venceu as eleições legislativas nos Açores, mas perdeu a
maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação
pós-eleitoral, colocando fim a 24 anos de governação socialista.As
eleições de 2024 foram antecipadas devido ao chumbo do orçamento da
região e nesse ato eleitoral os três partidos concorreram coligados e
venceram as eleições, ainda que sem maioria absoluta.O acordo de coligação assinado em 2020 previa que os partidos se mantivessem coligados durante dois mandatos.Numa
entrevista ao ‘podcast’ da Antena 1 Política com Assinatura, em 28 de
abril, José Manuel Bolieiro revelou que em 2028 o PSD concorreria
sozinho.“Vamos cumprir os nossos acordos.
[…] Sou cumpridor dos meus compromissos e da palavra dada, e, portanto,
vou cumprir a palavra dada. A [atual] coligação pré-eleitoral vai até
2028, […] isso significa que, a partir de 2028, não há coligação
pré-eleitoral. É o que foi acordado, é o que vai ser cumprido”, afirmou.No
sábado, no congresso do CDS-PP, em Alcobaça, o líder regional
centrista, Artur Lima, assegurou que a hipótese de não haver coligação
pré-eleitoral nas próximas eleições não incomodava o partido.“Estamos
prontos para ir a qualquer eleição, sozinhos, hoje, amanhã, em 27, em
28, e lá vamos com os nossos valores, com o nosso programa e com os
nossos princípios”, avançou, garantindo que o CDS-PP irá a votos “sem
medo, com coragem".