Bolieiro defende que o “povo prefere estabilidade”
23 de nov. de 2023, 18:21
— Lusa
“Tudo
farei para que assim seja [aprovada uma nova proposta de Orçamento].
Agora, cada um assume as suas responsabilidades. Sobretudo as pessoas,
as famílias, as empresas e as instituições percebam quem está do lado do
interesse dos outros ou quem está do lado do seu próprio interesse”,
salientou José Manuel Bolieiro.O líder do
executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) falava na sede da Assembleia
Legislativa, na Horta, após o Plano e o Orçamento da região para 2024
terem sido chumbados com os votos contra de IL, PS e BE, as abstenções
do Chega e do PAN. Os partidos que integram o Governo dos Açores
(PSD/CDS-PP/PPM) e o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega)
votaram a favor dos documentos.Antes da
votação, prevendo a rejeição, o presidente do Governo dos Açores
manifestou a intenção de apresentar uma nova proposta de Orçamento
Regional para 2024.Em declarações aos
jornalistas já após a votação, José Manuel Bolieiro defendeu que a
“democracia funciona com normalidade quando se cumprem os mandatos”, mas
reconheceu que é preciso “devolver a palavra ao povo” quando não
existem garantias de estabilidade.“Quando
há uma impossibilidade de estabilidade parlamentar, o melhor mesmo é
devolver a palavra ao povo para que o povo decida. Eu sei que o povo
prefere estabilidade, os problemas são tantos. As crises e as guerras
não ajudam a economia, nem a vida, as empresas e as famílias. Mais uma
crise politica não é boa”, salientou.Admitindo
que os próximos dias vão ser de “muito trabalho”, José Manuel Bolieiro
mostrou disponibilidade para negociar com os partidos políticos a
aprovação de uma segunda versão do Orçamento para 2024.“Tenho
muito gosto enquanto líder da coligação e do governo em estar
disponível para um diálogo maduro e fazer com que as pessoas e partidos
políticos se sintam parte da solução e não parte do problema”, afirmou.O social-democrata reiterou ainda a intenção de apresentar o novo documento previsional antes dos 90 dias definidos por lei.A
lei de enquadramento do Orçamento da Região Autónoma dos Açores indica
que, em caso de reprovação, o executivo deverá apresentar à Assembleia
Legislativa Regional uma nova proposta de orçamento "no prazo de 90 dias
sobre a data da rejeição”.O Regimento da
Assembleia Legislativa Regional e o Estatuto Político-Administrativo dos
Açores preveem a queda do Governo Regional apenas em casos de aprovação
de uma moção de censura ou de rejeição de um voto de confiança ou então
se o Presidente da República decidir dissolver o parlamento regional.O
Plano e Orçamento dos Açores para 2024, de cerca de dois mil milhões de
euros, foram os primeiros a serem votados após a IL e o deputado
independente terem denunciado em março os acordos escritos que
asseguravam a maioria parlamentar ao Governo dos Açores.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da IL, um do PAN, um do Chega e um independente (eleito
pelo Chega).O Presidente da República vai
receber os partidos representados na Assembleia Legislativa Regional dos
Açores daqui a uma semana, no dia 30 de novembro, na sequência do
chumbo do Orçamento regional para 2024."O
Presidente da República vai receber os partidos políticos com
representação na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,
no próximo dia 30 de novembro, à tarde", lê-se numa nota divulgada no
‘site’ da Presidência da República.