Bolieiro defende investimento nacional, europeu e da NATO em infraestruturas estratégicas
Hoje 14:24
— Lusa/AO Online
O governante, citado numa nota de imprensa do executivo, coloca em evidência a dimensão atlântica do território português, sustentando que os Açores “representam uma plataforma estratégica fundamental para a segurança marítima, as comunicações, o conhecimento científico e a projeção internacional do país”.“É essa dimensão atlântica que Portugal, com os Açores, dão à Europa, dão à NATO, dão ao mundo”, afirmou, defendendo uma mudança de perspetiva sobre a importância territorial de Portugal, que não deve ser medida apenas pela sua dimensão terrestre e demográfica, mas também pela sua extensão marítima e espacial.Bolieiro foi orador convidado na conferência da CNN Portugal “European Security in Transformation: Shaping Autonomy, Inspiring Action Local”, realizada na quarta-feira no Instituto Universitário Militar, em Lisboa, onde apresentou uma intervenção sobre “Profundidade Estratégica do Atlântico: Segurança Marítima, Infraestruturas Críticas e Resiliência Europeia”.Na intervenção, o governante afirmou que a posição geográfica do arquipélago constitui “uma vantagem” que importa transformar em capacidades concretas, que vão desde a vigilância do oceano à proteção das infraestruturas críticas e ao reforço dos meios de segurança e defesa.“Investir nos Açores é reforçar segurança marítima, autonomia estratégica e resiliência da Europa no Atlântico”, sublinhou, acrescentando que esta aposta deve assumir-se como uma prioridade nacional e europeia.O governante recordou que os Açores representam cerca de 56% da Zona Económica Exclusiva portuguesa, evidenciando a dimensão do seu contributo para a presença de Portugal no Atlântico.A importância estratégica das infraestruturas portuárias de Ponta Delgada, Praia da Vitória, Horta e Lajes das Flores, bem como da Base das Lajes, das capacidades aeroportuárias de Santa Maria e das ligações submarinas de comunicações, foram igualmente destacadas por José Manuel Bolieiro.“Tem de haver investimento nacional, europeu e da NATO, nas infraestruturas portuárias e aeroportuárias nos Açores”, defendeu, lembrando que a valorização destes equipamentos permite responder simultaneamente a necessidades civis e militares, promovendo também a competitividade e o crescimento económico.A proteção dos ecossistemas marinhos mereceu também destaque, com o líder do executivo açoriano a recordar a implementação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, que abrange 30% do mar da região, contribuindo para os compromissos nacionais e internacionais de conservação da biodiversidade.Bolieiro sublinhou igualmente a necessidade de Portugal reconhecer a importância estratégica da sua geografia atlântica e de transformar esse potencial em investimento e capacidade operacional.“É transformar periferia em centralidade”, salientou, defendendo uma visão que coloque os Açores no centro das prioridades nacionais e europeias em matéria de segurança, defesa, ciência e desenvolvimento.