Bolieiro critica "centralismo serôdio" de juízes do TC sobre gestão do mar
11 de jun. de 2024, 08:51
— Lusa/AO Online
“Não
percebemos, nem admitiremos, qualquer atitude centralista que limite ou
elimine a justa reivindicação da gestão partilhada ou da cogestão do
nosso mar, do nosso espaço marítimo que interessa em primeira mão ao
próprio povo marítimo”, afirmou.O chefe do
executivo açoriano (PSD/CDS/PPM) falava em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, nas comemorações do 10 de Junho nos Açores, a convite do
representante da República para a região, Pedro Catarino, que minutos
antes tinha apelado uma “cultura de diálogo e consulta” na gestão do mar
entre os órgãos regionais e nacionais.Na
presença da secretária de Estado do Mar, Lídia Bulcão, natural dos
Açores, que descreveu como “sensível e compreensiva” à região, José
Manuel Bolieiro, lembrou que o executivo açoriano “participou, desde o
início, no processo de desenvolvimento do plano de situação e tomou a
iniciativa de elaborar o Plano de Situação de Ordenamento do Espaço
Marítimo Nacional para a subdivisão dos Açores”, que já foi “entregue a
quem de Direito”.O presidente do Governo
Regional reafirmou que o executivo “tem um entendimento diverso da
decisão explanada pelo Tribunal Constitucional no seu Acórdão n.º
484/2022”.“A declaração de
inconstitucionalidade de algumas normas que foram introduzidas no início
do ano de 2021 na ‘Lei do Mar’ revela a interpretação restritiva e
centralista de alguns juízes do Tribunal Constitucional, que merecem
repúdio e correção (…) seja pela insistência legislativa ou revisão
constitucional ou mudança daqueles juízes, afetados por centralismo
serôdio”, vincou.“Estamos convictos da
importância da gestão conjunta entre as administrações central e
regional do espaço marítimo da Região Autónoma”, insistiu.José
Manuel Bolieiro frisou que “os Açores contribuem de forma determinante”
para a dimensão marítima e atlântica do país, que tem “uma das maiores
zonas económicas exclusivas do mundo”.“O
vasto espaço marítimo que circunda as nove ilhas dos Açores,
correspondente a uma área total de quase 1 milhão de quilómetros
quadrados, detém uma multiplicidade de recursos naturais e é
percecionado como um vetor estratégico, importante no desenvolvimento
socioeconómico da Região e, assim, do país”, realçou.No
entanto, alertou que “os oceanos encontram-se perante enormes ameaças,
como a poluição marinha, a acidificação, a pesca excessiva, as
alterações climáticas e a degradação dos ecossistemas costeiros”,
defendendo que é essencial “proteger os ecossistemas marinhos por forma a
garantir que o oceano permaneça saudável”.Nesse
sentido, lembrou que o executivo açoriano se comprometeu “a proteger
30% do mar dos Açores, aumentando assim a sua Rede de Áreas Marinhas
Protegidas” e “antecipando, em prazo, a meta da Estratégia Europeia para
a Biodiversidade 2030”.“Estamos a
trabalhar ativamente na liderança pelo exemplo, através de um programa
baseado em informação científica sólida e em estreita ligação com os
utilizadores do mar”, sublinhou.O chefe do executivo açoriano destacou ainda a importância da economia azul como “motor de desenvolvimento”.“Esta
é uma oportunidade para as regiões insulares desenvolverem as suas
economias, de forma sustentável, com base nos recursos do mar, muitos
deles ainda desconhecidos, gerando conhecimento, emprego e rendimento,
diversificando a economia, reduzindo a dependência energética e
alimentar, superando as alterações climáticas, protegendo os seus ativos
de biodiversidade”, apontou.