Bolieiro considera “insano” Açores serem excluídos dos apoios da República para agricultura

Hoje 15:39 — Lusa/AO Online

José Manuel Bolieiro falava nas comemorações do Dia Nacional da Agricultura, no Mercado Agrícola de Santana, em Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, num evento promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, após ouvir preocupações do presidente da associação e da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).“Se hoje, aqui, nos Açores, celebramos o Dia Nacional da Agricultura e se o Governo do país é responsável pelos portugueses todos e pela agricultura nacional, quando se assume como responsável de medidas nacionais, é insano, é inaceitável, que exclua os Açores das medidas nacionais de apoio justo a combater os sobrecustos dos fatores de produção numa conjuntura muito difícil como é a atual”, declarou.No seu discurso, Bolieiro solicitou que o Governo da República “se faça justo e seja um Governo do país" e que as medidas nacionais "incluam o país inteiro”.“Os fatores de produção estão hoje como nunca mais caros, seja no que diz respeito aos combustíveis, seja no que diz respeito aos fertilizantes, entre todos os outros, [...] mas, nesta medida excecional é, repito, inaceitável. E se há uma tendência para o erro, o que é preciso [é] alertar para a necessária correção”, exortou.O líder do executivo açoriano acrescentou que a Associação e a Federação Agrícola dos Açores e a CAP comungam da preocupação, porque são entidades que compreendem a dimensão da agricultura açoriana.Referiu ainda que o Governo dos Açores “está sempre atento”, mas sublinhou que “não é o Governo dos Açores que se substitui ao Governo do país” nesta matéria.“Estou por isso aqui, hoje, a afirmar uma palavra de solidariedade na açorianidade aos agricultores dos Açores”, concluiu.Antes do discurso do governante, o presidente da Associação Agrícola de São Miguel e da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, disse que o setor está a “viver um movimento difícil na agricultura” e disse não aceitar “discriminações negativas do Governo da República e da Europa”.“Quando são designadas ajudas para o todo nacional, em que a República define como estratégia só os agricultores da República, não faz qualquer sentido os agricultores dos Açores e da Madeira ficarem de fora”, afirmou, sublinhando que o Governo da República “não pode continuar a fazer essa discriminação, porque é uma injustiça”.Por sua vez, o secretário-geral da CAP, Luís Mira, apontou que, no momento, “com o aumento enorme dos combustíveis, com o aumento dos fertilizantes, […] o Governo português não apoiou os agricultores devidamente”“Os espanhóis atribuíram 500 milhões de euros para os fertilizantes, o Governo português prometeu 20 e ainda não sabe como é que os vai atribuir e deixou de fora […] os Açores. Isto não é aceitável”, afirmou.“Os fertilizantes são determinantes para a produção de alimentos. Se não houvesse fertilizantes no mundo, só havia 50% da comida que existe hoje e havia fome em muitos pontos do mundo. Portanto, não é aceitável que se deixe para trás os agricultores e não se lhes dê condições de competitividade. Foi isso que o Governo fez e não é aceitável, é repugnante que se deixe de fora os Açores e a Madeira deste tipo de medidas”, acrescentou Luís Mira.A Associação Agrícola de São Miguel assinalou o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa que reuniu mais de 3.000 crianças de diversas escolas da ilha de São Miguel.O evento, promovido em parceria com o Governo Regional dos Açores, a CAP e várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, pretendeu “aproximar os mais novos do setor agrícola e dar a conhecer a sua importância na economia regional, na sustentabilidade e na preservação do território”.No âmbito da iniciativa, as crianças participaram em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas e contactaram diretamente com animais.