Bolieiro confiante na execução de 500ME de fundos em 2026 e apela à estabilidade
17 de set. de 2025, 10:14
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas, após dois dias de reuniões com partidos e
parceiros sociais, José Manuel Boleiro definiu o próximo Orçamento da
região como “muito singular” e reiterou que o “foco” vai estar na
execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Açores 2030.“Relativamente
aos investimentos que tem cofinanciamento PRR são à data de 2026 uma
prioridade absoluta para fazer o cumprimento de marcos e metas
definidos. São um volume financeiro muito significativo, não só aquele
que é entregue pelo PRR, como aquele que de nós exige cofinanciamento”,
afirmou, falando na sede da Presidência, em Ponta Delgada.Bolieiro
rejeitou ser irrealista a execução de 418,8 milhões de euros do PRR e
de 80 milhões de euros da componente regional do Açores 2030 (programa
comunitário que na totalidade soma 192 milhões de euros).“Não
diria isso [que é irrealista] porque não estaria aqui a fazer nada.
Tenho confiança nesta capacidade de cumprir esta execução se nada
acontecer pelo contrário”, garantiu.O
presidente do executivo dos Açores confirmou que a anteproposta de
Orçamento para 2026 vai conter uma possibilidade de endividamento até
150 milhões, um montante que assegura que a divida pública da região se
mantenha abaixo dos 60% do Produto Interno Bruto.Segundo
disse, o limite de endividamento de 150 milhões “pode ser utilizado ou
não consoante as transferências” do Orçamento do Estado para 2026.“A
execução, quer dos 418 milhões, quer dos tais 80 milhões que são
responsabilidade do Orçamento para o Açores 2030, são, obviamente, com a
necessidade de responsabilidade do Estado em transferências e no
recurso do endividamento que for preciso”, detalhou, referindo-se às
verbas necessárias para executar os fundos europeus.Bolieiro garantiu que o Governo Regional “não quer regredir nos adquiridos sociais”, rejeitando um Orçamento de austeridade.“Não
estamos a fazer deste um Orçamento de austeridade. Estamos a fazer de
um rigor relativamente ao foco na execução do PRR e do Açores 2030”,
afirmou, alertando que o PRR não paga todos os investimentos a 100%
porque “houve alterações de preço muito significativas”.O
presidente do Governo dos Açores apelou, ainda, o “sentido de
responsabilidade” dos partidos para assegurar a estabilidade política
que classificou como “decisiva”.“Não se
pode viver em duodécimos para o ano de 2026. Estaríamos a comprometer
tudo isso e comprometer tudo isso não é coisa de pouca responsabilidade.
É gravíssimo”, avisou.A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2026 vai acontecer em novembro na Assembleia Legislativa Regional.O
Plano e Orçamento da região para 2025 foram aprovados em novembro de
2024 com os votos a favor do Chega e dos partidos da coligação do
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), tendo PS, BE, IL e PAN votado contra.O
executivo saído das eleições legislativas antecipadas de 04 de
fevereiro de 2024 governa a região sem maioria absoluta no parlamento
açoriano e, por isso, necessita do apoio de outros partidos com assento
parlamentar para aprovar as suas propostas.PSD,
CDS-PP e PPM elegeram 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta.
O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos, seguido do
Chega, com cinco. BE, IL e PAN elegeram um deputado regional cada,
completando os 57 eleitos.