Bolieiro anuncia grupo de trabalho com trabalhadores sobre venda do 'handling' da SATA
Hoje 09:06
— Lusa/AO Online
“Houve
uma queixa relativamente à necessidade de mais diálogo e mais
informação. A coisa com que me comprometi foi a de assegurar que haja,
quer por parte do governo, quer por parte do conselho de administração
[da SATA], franca abertura para diálogo e verificação das preocupações
dos trabalhadores”, afirmou.José Manuel
Bolieiro falava aos jornalistas após uma reunião na sede da Presidência
do Governo Regional, em Ponta Delgada, com elementos da Comissão de
Trabalhadores da SATA Air Açores, do Sindicato Nacional Dos
Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), do SITAVA (Sindicato dos
Trabalhadores da Aviação e Aeroportos) e do representante dos
trabalhadores na administração da companhia aérea.O
líder do executivo regional considerou “legitimas as
preocupações” daquelas estruturas e anunciou a criação de um grupo de
trabalho para que os trabalhadores possam acompanhar a privatização do
‘handling’ (serviço de suporte em terra).“O
que assegurei foi que podemos construir, para além do trabalho direto
entre a administração, sindicatos e comissão de trabalhadores, um grupo
de trabalho que possa fazer um acompanhamento relativamente a essa
matéria”, avançou.Bolieiro disse querer formar o grupo com “máxima celeridade”, prometendo “relatórios de trabalho” e “regularidade de reunião”.Questionado
se a privatização do ‘handling’ da SATA é irreversível, o líder do
Governo dos Açores lembrou o compromisso com a Comissão Europeia quanto
ao plano de reestruturação da SATA.“Temos
de cumprir os compromissos do plano de reestruturação. Estamos a
fazê-lo. Já verificámos que o mercado deu as respostas que deu. Temos
essa obrigação de procedimento”, assinalou.Sobre as queixas dos trabalhadores quanto à demora na marcação do encontro, Bolieiro apontou motivos de agenda.“A
agenda é o que é. Não se trata nunca de uma recusa de diálogo e
concertação. Sabem bem. Sou conhecido como o presidente do governo
dialogante”.No final, o dirigente do
SINTAC Filipe Rocha afirmou que o Governo Regional “percebeu as
dificuldades” dos trabalhadores e adiantou que existe margem para
“reavaliar” o pré-aviso de greve parcial do ‘handling’ (às duas
primeiras e duas últimas horas dos turnos) marcada para 24 a 30 de
abril.“Há condições para reavaliarmos do
nosso lado as nossas ações reivindicativas. Essas ações também dependem
do mandato que temos dos nossos associados”, destacou.Também
Vítor Mendes do SITAVA revelou que a estrutura vai fazer uma “avaliação
com os associados” para analisar o encontro com o presidente do Governo
Regional e elogiou a “abertura de uma porta de diálogo”.“Mais
tranquilos nunca poderemos estar porque a situação é demasiado
conturbada. É um processo que se arrasta há quatro anos. Já tem o seu
desgaste de tempo de um plano de reestruturação que, no nosso entender,
temos sérias dúvidas que seja benéfico”, ressalvou o sindicalista.Já
o representante da Comissão de Trabalhadores Dário Ponte considerou a
abertura manifestada por Bolieiro um “avanço no bom caminho”, mas
reiterou a oposição à privatização do “handling”.“O
que diz a diretiva europeia é que há necessidade de haver uma separação
contabilística da empresa, o que não é necessariamente a venda a um
privado. Estamos a tentar o desfazer de um monopólio público para bem da
região – não é para bem dos trabalhadores da SATA, é para bem da região
– e entregar a um monopólio privado”, alertou.